O deputado federal Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, criticou duramente a cobertura da imprensa sobre a viagem do senador Flávio Bolsonaro e de seus familiares para os Estados Unidos. De acordo com o parlamentar, os veículos de comunicação trataram suspeitas como condenações e expuseram os parentes ao ridículo.
Críticas à cobertura da imprensa
Utilizando sua conta em uma rede social, o congressista manifestou indignação com o tom adotado pelos jornalistas na cobertura do caso e afirmou que houve comemoração disfarçada de noticiário.
“Debocharam da chegada da família de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos como se estivessem comemorando uma condenação. Transformaram uma família em alvo de chacota e trataram suspeitas como sentenças”, escreveu em seu perfil no X.
Além disso, o deputado argumentou que a parcialidade dos veículos estaria evidente no julgamento prévio dos envolvidos.
“Para essa turma, o sobrenome Bolsonaro já é motivo suficiente para condenar!”, declarou.
Questionamentos sobre o Judiciário
O líder partidário também levantou dúvidas a respeito da atuação das instituições judiciais brasileiras e sugeriu que o senador derrotado nas urnas estaria sofrendo represálias por sua atuação pública.
“Agora respondam: que tipo de democracia é essa em que um candidato apoiado por mais de 60 milhões de brasileiros precisa temer perseguição política logo após uma eleição?”, escreveu.
Em outra postagem, o deputado rebateu os rótulos de que o colega de partido estaria foragido da Justiça e utilizou análises jurídicas transmitidas pela televisão para justificar a legalidade da saída do território nacional.
“Flávio Bolsonaro não saiu do país como foragido, assim aprendam para falar de forma correta”, afirmou.
Contexto da viagem e repercussão
A polêmica ocorreu após o desembarque de Flávio, de sua esposa e de suas duas filhas em Miami. A família deixou o território brasileiro em um jatinho que partiu de Puerto Iguazú, na Argentina, passou por Guayaquil, no Equador, e seguiu rumo à América do Norte.
A viagem aconteceu depois que o Supremo Tribunal Federal determinou a entrega dos passaportes do parlamentar e proibiu sua saída do país. A medida foi solicitada pela Polícia Federal logo após a divulgação do resultado da eleição presidencial de 2026, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva, que obteve 64.256.232 votos contra 59.826.041 sufrágios de Flávio Bolsonaro.
Antes de deixar o Brasil, o senador havia publicado um vídeo negando que pretendia escapar da Justiça e relatando a abordagem policial ocorrida na residência de seu pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
“Hoje de manhã eu fui visitar o meu pai. Como vocês sabem, ele está em prisão domiciliar. E, quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele e, no meio da rua, eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o país”, disse Flávio no vídeo.
Na mesma gravação, o político questionou os fundamentos jurídicos da ordem expedida pelo ministro Alexandre de Moraes.
“A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo, de 23.out.2026, de que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição. Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é Justiça?”, afirmou.
A chegada da família aos Estados Unidos também repercutiu internacionalmente e contou com a manifestação do presidente norte-americano, Donald Trump, que declarou aprovação à vinda do senador e voltou a criticar o processo eleitoral brasileiro sem apresentar provas de irregularidades.
“Bem, eu aprovaria. Acho que eles são boas pessoas. A eleição foi muito estranha, e achei que foi terrível. Ela tem recebido avaliações ruins. Veja o que aconteceu com o mercado deles”, disse Trump.






