Com a proximidade do Exame Nacional do Médio 2026, a preparação para a redação exige foco em estratégias específicas para garantir uma excelente nota. O professor Bruno Cruz compartilhou orientações fundamentais sobre como evitar erros comuns, planejar os argumentos e identificar possíveis eixos temáticos que podem aparecer no exame.
O domínio da estrutura textual e o planejamento
O primeiro passo para alcançar uma pontuação superior a 900 pontos é compreender rigorosamente o modelo dissertativo-argumentativo exigido pela prova. Segundo o especialista, o candidato deve apresentar uma tese clara, desenvolver argumentos sólidos e elaborar uma conclusão com proposta de intervenção que respeite os direitos humanos.
“O ponto de partida sempre será o domínio da estrutura do que entendemos por texto, dissertativo, argumentativo.”
O professor reforça que dominar essa base garante mais segurança no dia da avaliação. Além disso, é recomendável simular o tempo real de prova, reservando entre uma hora e meia e uma hora e quarenta minutos para a produção textual, além de consultar o manual do candidato do Inep para analisar redações nota mil anteriores.
“Então, ter esse critério do que foi, de fato, um texto excelente e conseguir internalizar aquelas estruturas, aquele tipo de argumentação, seria uma boa.”
As cinco competências da redação do Enem
A avaliação divide-se em cinco critérios distintos, cada um valendo até 200 pontos. O docente chama atenção especial para a segunda competência, que engloba a compreensão da proposta e o domínio do texto dissertativo-argumentativo.
- Domínio da norma padrão da língua portuguesa
- Compreensão da proposta e domínio do texto dissertativo-argumentativo
- Seleção e organização de informações
- Mecanismos linguísticos
- Proposta de intervenção
O descumprimento de requisitos básicos nessa etapa pode resultar em nota zero. Por isso, a leitura atenta do comando logo no início da prova é indispensável.
“Deixar isso para depois é perder tempo, Gabi, e tempo é uma preciosidade em relação a um vestibular como o ENEM, certo?”
Como escolher repertório sociocultural e evitar armadilhas
O uso de repertório sociocultural exige legitimidade, pertinência e produtividade. O professor destaca que não é obrigatório citar apenas filósofos renomados; filmes, leis, notícias e fatos históricos também são válidos, desde que exista uma conexão direta com o assunto discutido.
Por outro lado, o docente alerta contra o uso do chamado “repertório de bolso”, que consiste em argumentos pré-fabricados repetidos em diferentes redações. Como os avaliadores leem centenas de textos diariamente, a originalidade e a autoria contam pontos valiosos.
“A média são 100 redações por dia.”
“E quanto mais aproximado esse repertório for do tema, melhor. Mais produtivo ele vai ser.”
No que diz respeito ao uso de inteligência artificial, a tecnologia deve atuar apenas como ferramenta complementar para correções gramaticais, sem substituir a avaliação crítica de um professor.
Evitando o tangenciamento e temas para 2026
O tangenciamento acontece quando o estudante aborda apenas parcialmente o recorte temático exigido. O professor exemplifica com a prova de 2015 sobre a persistência da violência contra a mulher, reforçando que ignorar palavras-chave do comando compromete seriamente o resultado.
Entre os possíveis eixos temáticos para o Enem 2026, destacam-se a leitura e a educação, questões ambientais relacionadas a eventos climáticos extremos e racismo ambiental, a proteção de crianças e adolescentes na internet, acessibilidade e inclusão, além de cidadania e direitos sociais.
Caso o tema seja totalmente inesperado, a recomendação é manter a calma, recorrer a garantias constitucionais de igualdade e cidadania, e fundamentar a argumentação com o apoio de pensadores como Milton Santos e Byung-Chul Han.






