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Dólar recua a R$ 5,35 após salto histórico na segunda-feira

Dólar cai a R$ 5,35 após alta de 8,21% registrada na 2ª feira

O dólar registrou queda de quase 1% em relação ao real nesta terça-feira (27), em um movimento de correção e ajuste de posições no mercado financeiro. O recuo ocorre logo após a disparada de 8,21% registrada na sessão de segunda-feira — que marcou a maior alta percentual diária da moeda desde janeiro de 1999 —, impulsionada pela surpresa com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ajustes técnicos e percepção de risco

Apesar do aumento na aversão ao risco decorrente de incertezas sobre a política fiscal para o novo mandato petista, especialistas apontam que grande parte da forte alta anterior teve motivações técnicas. Os investidores estavam posicionados de forma maciça para a vitória de Flávio Bolsonaro.

Para o diretor de tesouraria do Braza Bank, Bruno Perottoni, os preços dos ativos locais já incorporaram a reeleição de Lula no pregão de segunda-feira, quando houve um desmonte de apostas “muito otimistas” em torno da possibilidade de a oposição conquistar a Presidência.

“Voltamos agora ao ‘status quo’ de antes da eleição, mas com o governo enfrentando uma forte oposição no Senado. O mercado busca agora uma acomodação e já sinalizou a Lula que espera uma mudança na política fiscal”, afirma Perottoni, ressaltando que houve forte internalização de recursos por parte dos exportadores ontem.

Comportamento do câmbio e cenário anual

Durante a tarde, a moeda norte-americana oscilou próxima aos R$ 5,34 e encerrou o pregão desta terça com desvalorização de 0,97%, cotada a R$ 5,3506. O resultado veio na contramão do desempenho do dólar no exterior. Pela manhã, a taxa de câmbio chegou a testar patamares abaixo de R$ 5,30, registrando mínima de R$ 5,3078.

Mesmo com a alta de 3,39% acumulada em outubro, o câmbio ainda apresenta baixa de 2,52% frente ao real no acumulado de 2026. Entre as moedas da América Latina, apenas o real brasileiro e o peso colombiano — que registra ganhos superiores a 15% — apresentam desempenho positivo no ano.

Projeções e fatores estruturais

O analista de câmbio Michael Pfister, do Commerzbank, trabalha com a possibilidade de continuidade do movimento de correção do câmbio nos próximos dias, à medida que investidores digerem o resultado da eleição.

“No médio prazo, no entanto, a questão-chave será a capacidade de Lula implementar ajustes críveis na política fiscal e realizar reformas. A história recente nos deixa em dúvida em relação a isso. Mantemos nossa projeção de dólar em R$ 5,20 até o fim do ano”, afirma.

Em paralelo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reiterou nesta terça que o governo trabalha com a ideia de propor um projeto de lei complementar (PLP) para definir juridicamente que buscará o centro da meta de resultado primário, em um sinal de compromisso fiscal da gestão Lula.

Os estrategistas de câmbio do banco americano BBH ressaltam que Lula, diante de um Congresso de perfil mais conservador, vai precisar do apoio de partidos de centro para aprovar projetos no Parlamento — o que tende a limitar o espaço para mais expansão fiscal.

“É importante ressaltar que o ‘carry’ atraente e a exposição estratégica do Brasil a commodities ligadas à energia, à IA e à defesa seguem como fatores estruturais relevantes para o real”, afirmam.

No exterior, o índice DXY — que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes — operava em alta de 0,35% por volta das 17h, atingindo 102,311 pontos. A expectativa predominante no mercado é que o Federal Reserve anuncie nesta quarta-feira (28) a manutenção da taxa de juros, mas deixe em aberto a possibilidade de retomar o aperto monetário em dezembro.

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