O mercado financeiro brasileiro registrou uma forte desvalorização em praticamente todos os setores nesta segunda-feira (26 de outubro de 2026), reflexo direto da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições realizadas no domingo (25).
Impacto histórico na B3 e no dólar
A reação negativa dos investidores no primeiro pregão pós-eleição provocou uma retração de 13,88% no Ibovespa, que encerrou as atividades cotado aos 176.608,23 pontos. Em paralelo, a moeda norte-americana apresentou alta expressiva de 8,21%, sendo negociada a R$ 5,4029.
Um levantamento detalhado com 77 ativos apontou que a pressão vendedora atingiu o mercado de forma ampla, resultando em perdas para 72 empresas, enquanto apenas 5 companhias fecharam o dia no campo positivo. Os segmentos voltados ao consumo doméstico e dependentes de crédito foram os mais vulneráveis às expectativas sobre os juros futuros.
Varejo e construção civil lideram perdas
O setor varejista concentrou algumas das maiores baixas do pregão. O Assaí Atacadista (ASAI3) caiu 43,4%, o Grupo Casas Bahia (BHIA3) recuou 38,1%, e as ações da Lojas Renner (LREN3) perderam 33,8%. Outros nomes expressivos, como Grupo Mateus (GMAT3) e Americanas (AMER3), registraram quedas de 30,1% e 26,2%, respectivamente.
No mercado imobiliário, a Cyrela despencou 44,7%, seguida por EZTEC (41%) e Even (EVEN3), que caiu 36,3%. Administradoras de shopping centers como Multiplan (MULT3) e Iguatemi (IGTI11) também fecharam em baixa, recuando 25,2% e 24,5%. A alta dos juros futuros encarece o financiamento e pressiona as perspectivas de consumo das famílias.
Saúde, educação e sistema financeiro
As empresas de saúde e educação sofreram forte penalização. Na saúde, a Hapvida (HAPV3) desabou 54,1%, a Dasa (DASA3) caiu 44,2%, e a Rede D’Or (RDOR3) recuou 21,3%. Entre as instituições de ensino, todas as listadas no levantamento caíram: Ânima Educação (ANIM3) perdeu 42,8%, Ser Educacional (SEER3) recuou 38,1%, Cogna (COGN3) caiu 37,4% e YDUQS (YDUQ3) teve baixa de 35,6%.
O setor bancário acompanhou o movimento de baixa. O Banco do Brasil (BBAS3) caiu 29,6%, o BTG Pactual (BPAC11) perdeu 23,9%, e o Bradesco (BBDC4) recuou 21,3%. O Itaú Unibanco (ITUB4) e o Santander Brasil (SANB11) registraram perdas de 13,6% e 5,01%, respectivamente. A própria operadora da bolsa, B3 (B3SA3), teve desvalorização de 35,9%.
Energia, commodities e exceções na bolsa
A onda de vendas alcançou o setor elétrico, com Energisa (ENGI11) em queda de 31% e Equatorial (EQTL3) recuando 30%. A Petrobras (PETR4) caiu 8,38%, enquanto a CSN (CSNA3) perdeu 18,2% na siderurgia. Companhias de saneamento como Copasa (CSMG3) e Sabesp (SBSP3) também fecharam no vermelho, com perdas de 23,1% e 20,8%.
Apesar do cenário generalizado de baixa, algumas companhias conseguiram resistir à pressão vendedora graças às receitas atreladas ao dólar. A Suzano (SUZB3) subiu 9,15%, a JBS (JBSS32) avançou 7,57%, a Klabin (KLBN11) ganhou 3,73%, a Vale (VALE3) valorizou 3,26% e a Bradespar (BRAP4) registrou alta de 1,05%, evidenciando a seletividade de parte dos investidores diante do novo cenário político e econômico.






