A presença do influenciador Pablo Marçal na reta final da disputa e declarações polêmicas sobre o Bolsa Família e a Constituição figuram entre os principais erros apontados por aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na corrida pela Presidência da República. A avaliação interna aponta que esses fatores provocaram uma reviravolta no cenário político entre o primeiro e o segundo turno.
Mudança de tom e perda de votos
De acordo com pessoas próximas ouvidas pela coluna, o parlamentar abandonou a retórica mais moderada que vinha mantendo e adotou uma postura consideravelmente mais dura. Para os colaboradores, essa guinada impediu a captação de novos eleitores indecisos e comprometeu a fidelização de bases que ainda demonstravam incerteza.
O estilo combativo falhou junto ao eleitorado de centro, que passou a enxergar o candidato com excessiva agressividade após seguir orientações de Marçal. Entre as situações recordadas estão os momentos em que o senador chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “nove dedos” no debate da TV Globo, além de ocasiões em que ironizou a voz ou limitações físicas do petista. No entendimento dos aliados, tais manifestações soaram preconceituosas e sabotaram a campanha na parcela neutra do eleitorado.
Declarações controversas e o fator Bolsa Família
Manifestações públicas proferidas após o término do primeiro turno também pesaram para avivar o chamado “medo do bolsonarismo”. Flávio declarou publicamente que alteraria a Constituição logo no dia seguinte ao pleito. Próximo ao encerramento da disputa, falas da assessora econômica Daniella Marques acerca do Bolsa Família acabaram vinculadas à extinção do benefício, servindo de munição para a frente adversária, que já explorava cortes prometidos pelo candidato.
O clima triunfalista interno, conhecido como a sensação de “já ganhou”, também entrou na lista de falhas estratégicas. Fontes relatam que a obtenção de novas adesões partidárias na segunda etapa estimulou discussões sobre a partilha de cargos antes mesmo do veredito das urnas. Em contrapartida, o PT intensificou a mobilização popular e a campanha de oposição, tática considerada determinante pelos correligionários do senador.
Ações de rua e polêmicas na reta final
As iniciativas do chamado “Bloco do 22”, marcadas por carreatas e coreografias públicas, sofreram contestações. Interlocutores avaliam que a equipe centralizou os esforços nessas dinâmicas nos dias derradeiros, falhando em expandir a mensagem para além dos cidadãos que já integravam a base de apoio.
Adicionalmente, um vídeo divulgado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL) com foco na região Nordeste entrou no rol de episódios negativos. Na fase final, o partido adversário aproveitou trechos de bastidores vazados da gravação para desacreditar o material, rotulando as cenas de encenação e classificando o conteúdo como “teatro”.






