O advogado eleitoralista Gustavo Guedes afirmou neste domingo (25.out.2026) que a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, de prorrogar a votação no 2º turno foi inadequada, mas avaliou que o episódio não deve comprometer o resultado da disputa presidencial. Segundo o especialista, eventuais contestações na Justiça não reúnem força jurídica capaz de anular o pleito.
Impacto limitado da medida
Durante entrevista à transmissão ao vivo do canal Poder360, o especialista explicou que os desdobramentos da ordem devem ser restritos. A avaliação é de que o alcance ficou limitado aos locais onde o processo de votação ainda não havia terminado às 17h, afastando qualquer cenário de reviravolta institucional.
“Nada com potencial para refazer a eleição, nada com potencial para que se tenha um terceiro turno, nada com potencial para que a Justiça Eleitoral possa anular”, declarou.
Críticas à condução das cortes
O profissional direcionou reparos tanto à postura de Cristiano Zanin quanto à do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Nunes Marques. Em sua análise, houve lentidão na apreciação dos requerimentos de prorrogação somada a uma precipitação na medida adotada pelo Supremo.
“Na minha visão, claramente errou o ministro Kassio quando não decidiu e errou o ministro Zanin quando decidiu”, afirmou.
A determinação inicial do magistrado do STF previa a extensão do horário até as 19h em todo o território nacional, motivada por protestos da chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a respeito de falhas no transporte público baiano. Mais tarde, a ordem foi retificada para abranger apenas as zonas onde as urnas seguiam ativas.
Precedentes e votação em papel
Com mais de duas décadas de atuação na área, Guedes apontou o caráter inédito de uma prorrogação com abrangência nacional e recordou que, em 2022, o então presidente do TSE, Alexandre de Moraes, negou pleito análogo após denúncias envolvendo blitze da Polícia Rodoviária Federal. O advogado também ponderou sobre os mecanismos de contingência e a eventual utilização de cédulas físicas, ressaltando que eventuais episódios isolados não possuem capilaridade para alterar o desfecho nacional.
Ações e judicialização
O especialista comentou ainda sobre o processo protocolado pelo PT que requer a cassação da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) devido a suposto favorecimento por inteligência artificial, classificando a movimentação como prematura antes da análise de provas.
Ao debater o cenário de conflitos jurídicos nas eleições de 2026, o advogado pontuou um avanço expressivo na judicialização em comparação com pleitos anteriores, como o de 2014. Para ele, o enfraquecimento da confiança pública representa um desafio inédito.
“Hoje a legitimidade da Justiça Eleitoral está em xeque”, declarou.
Apesar das ressalvas sobre a perda de respaldo institucional dos tribunais superiores, o especialista reiterou que o imbróglio jurídico em torno do horário de votação não possui gravidade suficiente para ameaçar a validade do segundo turno.






