Com uma trajetória que abrange o planejamento de campanhas políticas desde a década de 1980, o jornalista e professor emérito da Universidade de São Paulo (USP) Gaudêncio Torquato consolidou-se como uma das maiores referências do marketing político no país. Recentemente, o acadêmico detalhou os principais obstáculos enfrentados por figuras centrais da política nacional na corrida presidencial e avaliou as profundas mudanças na comunicação com o eleitorado.
Os desafios na imagem de Luiz Inácio Lula da Silva
Ao buscar o seu quarto mandato presidencial, o atual governo lida com um fenômeno complexo nas urnas. Na visão do especialista, a candidatura esbarra no que ele define como “desgaste de material”, gerando questionamentos sobre promessas não cumpridas em gestões passadas. Além disso, a administração precisa conter crises associadas a familiares do presidente, envolvendo viagens internacionais, tratamentos médicos específicos e contatos com membros do governo federal que geram forte repercussão negativa.
A estratégia e as polêmicas em torno de Flávio Bolsonaro
No campo da oposição, o herdeiro do clã Bolsonaro enfrenta tanto vantagens quanto barreiras significativas. O analista aponta a falta de experiência legislativa como um ponto fraco, além de episódios controversos ligados a pedidos de financiamento bilionário para produções audiovisuais e articulações internacionais. “Esse cara é traidor da pátria, está se vendendo aos Estados Unidos, está colocando tudo para depois das eleições”, pontuou o especialista ao relatar a repercussão pública dessas negociações no exterior.
A descentralização das campanhas e o poder das redes sociais
A forma como os candidatos dialogam com a população passou por uma revolução drástica desde a redemocratização. Enquanto no passado o rádio e a televisão concentravam todo o fluxo de informações, o cenário atual é marcado pela horizontalidade digital. O cidadão deixou de ser um mero receptor de propagandas para atuar ativamente na produção de conteúdo, denúncias e debates, fragmentando o eleitorado em diversos nichos de interesse específico, como o setor agropecuário e bancário.
O impacto dos debates e a racionalidade do eleitor
Mesmo diante da força avassaladora das plataformas digitais e das frequentes ausências de líderes partidários nos confrontos televisivos, os debates ainda mantêm relevância estratégica. No entanto, a grande guinada desta temporada eleitoral reside no comportamento do público. Segundo o professor da USP, a população está adotando uma postura muito mais crítica e analítica na hora de escolher seus representantes.
“O voto está subindo do coração para a cabeça”, resumiu o acadêmico ao destacar que o eleitor atual verifica fatos, combate inverdades e decide seu voto com base na razão.






