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Bom Sucesso de Itararé vira mirante natural para raros halos solares

Relevo e altitude transformam Bom Sucesso de Itararé em 'palco' de halos solares; entenda

Situada a mais de 900 metros de altitude, a cidade de Bom Sucesso de Itararé (SP) se destaca como um verdadeiro observatório a céu aberto para fenômenos atmosféricos impressionantes, como o halo solar e o chamado “arco-íris de fogo”. O município abriga uma população de 3,6 mil habitantes e fica localizado a 471 km da capital paulista, bem na divisa com o estado do Paraná.

Geografia e microclima

Com uma paisagem desenhada por vales profundos, cânions impressionantes e formações rochosas seculares, o município ostenta o posto de oitavo mais alto do estado de São Paulo em relação ao nível do mar. O clima da região também ajuda a compor esse cenário único, registrando médias térmicas em torno de 16 °C e incidência frequente de geadas ao longo dos meses.

“É uma soma de fatores, exclusiva do sudoeste paulista. O relevo que a gente tem dos cânions e os vales também, servem como canalizador para umidade e pros ventos, favorecendo a formação de um microclima regional que se soma às nuvens de gelo, que são as cirrostratus, as nuvens mais altas que existem na nossa atmosfera”, aponta a geóloga Victoria Gomes.

Como surge o halo solar

O surgimento do anel luminoso ao redor do Sol depende de variáveis atmosféricas bastante específicas. O evento ocorre quando os raios solares atravessam os cristais de gelo presentes nas nuvens altas do tipo cirrostratus.

“Essas nuvens, conhecidas como cirrostratus, ficam em grandes altitudes e podem conter cristais de gelo capazes de desviar a luz solar, formando o halo. Esse fenômeno acontece geralmente no início da manhã, quando os raios solares estão incidindo ali nos cristais de gelo que estão dentro dessas nuvens”, explica a especialista.

A configuração topográfica atua diretamente na forma como o espetáculo celeste é visto da superfície. De acordo com a geóloga, a transição entre áreas elevadas e depressões geográficas ajuda a posicionar o observador em um ponto privilegiado.

“Tem um detalhe muito importante para observação desse fenômeno, que é favorecida pela altitude, O relevo escarpado da nossa região e os paredões rochosos, os vales, as fendas, até o cânion, que tem essa declividade acentuada e essa topografia acidentada, canalizando os ventos e represando a umidade dessas massas, fornece a ‘arquibancada’, para admiração desses fenômenos óticos da atmosfera”, detalha.

A especialista lembra ainda que o fenômeno não se restringe apenas aos limites territoriais do município. “A nossa região está fornecendo de especial é essa perspectiva do observador acima da névoa, que possibilita a gente enxergar esse fenômeno. São essas características únicas da região que permitem que a gente enxergue esse halo solar”, complementa.

Nevoeiros e formação geológica

Além dos anéis luminosos no céu, o sudoeste paulista convive constantemente com a formação de nevoeiros densos. “O relevo influencia a circulação do ar e a distribuição da umidade, enquanto o resfriamento do ar pode favorecer a condensação do vapor de água e a formação de pequenas gotículas suspensas na atmosfera, que dão origem ao nevoeiro”, destaca a profissional.

As rochas locais também guardam registros de milhões de anos de transformações naturais que moldaram antigos ambientes marinhos e fluviais. “Essa região aqui toda, além de bom sucesso de Itararé. A gente está na ‘borda do cânion'”, relata Victoria.

Pontos como a Pedra da Galinha, situada no Vale dos Gigantes, facilitam a contemplação da paisagem e o entendimento da dinâmica climática local. “É um lugar que, de fácil acesso, é pra todas as cidades, e tem uma vista espetacular. É na Rodovia Vicinal de Bom Sucesso de Itararé, e lá você chega e consegue olhar às vezes até em 360º, para a região. E aí é possível entender como que o relevo tá interagindo ali com o clima”, pontua.

“O melhor horário pra observar é sempre no início da manhã, de épocas frias. E, geralmente, nessa época entre o inverno e a primavera, ou antes de chegar no inverno, que a gente tem ainda o sol bem quente, mas o tempo bem gelado, é possível observar o fenômeno”, acrescenta.

Cuidados na observação

Apesar do fascínio gerado pelas belezas naturais, especialistas reforçam que a contemplação exige cautela para evitar danos à visão. “Usar chapéu e óculos, porque sempre ter em mente que é muito perigoso olhar diretamente pro sol”, adverte a geóloga.

Entidades como a associação Cânions Paulistas atuam desde 2021 para promover a educação ambiental e proteger o patrimônio histórico e ecológico da região de Itapeva e arredores. “A gente tem atuado na preservação da memória dessa locais e na divulgação também. Tem trabalhado justamente para disseminar as informações e para que mais pessoas possam conhecer esses lugares também”, conclui Victoria Gomes.

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