O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quarta-feira, 21, em Brasília, que parte da população mais rica tem preferência por acumular débitos, em contraste com a postura dos mais pobres. A fala aconteceu no Palácio do Planalto durante um evento que apresentou novas políticas para microempreendedores individuais e para o setor de transporte público.
Diferença de comportamento financeiro
Durante a cerimônia, o chefe do Executivo criticou a relação dos bilionários e milionários com o endividamento, contrapondo-a com a conduta de cidadãos de menor renda que buscam limpar seus nomes.
“Tem muita gente rica que gosta de dever”, declarou Lula. “Dever é uma coisa charmosa: quanto mais eu devo, melhor. O pobre, não. O pobre fica honrado quando ele não tem dívida, que ele pode andar de cabeça erguida nesse país.”
O governante ainda pontuou que a administração federal optou por abrir mão de quantias financeiras consideradas complexas de reaver. “É um dinheiro que a gente sabia que a gente não ia receber”, disse.
Novas regras e perdão para microempreendedores
No mesmo evento realizado na capital federal, o presidente sancionou a legislação que amplia o teto de receita bruta anual dos MEIs de R$ 81 mil para R$ 140 mil. O texto legislativo estabelece também o perdão de créditos da União, beneficiando mais de 3,6 milhões de negócios com a remissão de débitos tributários.
O líder do Executivo aproveitou para exaltar a iniciativa privada autônoma e destacou a coragem de quem decide empreender no país diante dos obstáculos diários.
“O mundo do trabalho mudou”, declarou. “E as pessoas têm razão em não querer trabalhar para ganhar apenas um pouco. Toda pessoa que pensa em trabalhar por conta própria é uma pessoa que merece ser valorizada.”
Além disso, o político comentou sobre a possibilidade de repassar um valor de R$ 5 mil a novos empreendedores. A quantia funcionaria como capital inicial para dar início aos negócios, sem a necessidade de devolução, embora sua execução dependa de diretrizes governamentais.
Proposta para o transporte público
Outro destaque da programação foi o envio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ao Congresso Nacional visando instituir a gratuidade no transporte público urbano durante os finais de semana e feriados. O custeio da medida seria viabilizado por meio de verbas oriundas de emendas parlamentares.
A expectativa do governo é que a matéria seja avaliada pelos parlamentares ainda em 2026. A gratuidade nas tarifas poderá ser implementada de forma gradual, começando nos dias de descanso, com chances de expansão dependendo do desempenho financeiro e da aprovação do texto no Legislativo.






