Uma pesquisa divulgada na terça-feira (20.out.2026), fruto de uma parceria entre Washington Post, ABC News e Ipsos, revelou que 70% da população dos Estados Unidos não confia que o presidente Donald Trump, do Partido Republicano, aceitará uma eventual derrota do partido nas eleições legislativas de novembro.
Desconfiança entre aliados e opositores
O ceticismo em relação à postura do republicano atravessa diferentes espectros políticos. Mesmo dentro de sua própria base, 36% dos republicanos admitem não acreditar que ele reconhecerá um revés nas urnas. Entre os eleitores independentes, o índice de desconfiança sobe para 77%, enquanto entre os democratas a rejeição atinge expressivos 94%.
O estudo foi conduzido de 9 a 13 de outubro de 2026, coletando respostas de 2.545 adultos norte-americanos pela internet. A margem de erro total é de dois pontos percentuais, variando para 2,8 pontos nas questões específicas sobre a lisura do pleito.
Confiança no processo eleitoral
Apesar das ressalvas sobre o comportamento da liderança executiva, a maioria dos cidadãos mantém a fé na integridade estrutural das eleições. Cerca de 60% dos participantes demonstram confiança razoável ou total de que o processo será conduzido com justiça. No grupo dos independentes, a divisão é equilibrada, com 51% confiantes e 47% desconfiados.
No que tange à apuração, 65% acreditam na precisão da contagem dos votos. O endosso à lisura do processo alcança 70% entre os democratas e 67% entre os simpatizantes do Partido Republicano.
Expectativas e cenários
As projeções para a composição da Câmara mostram 35% apostando em vitória democrata e 16% prevendo triunfo republicano, com 28% considerando o cenário indefinido e 21% sem opinião formada. Sobre o comportamento da oposição, 61% confiam que os democratas aceitariam uma derrota, índice que varia de 88% entre os próprios eleitores da legenda a 36% entre os republicanos.
Vulnerabilidades econômicas e geopolíticas
A disputa ocorre em um momento delicado para o governo. A aprovação de Trump atinge o patamar mais baixo do século para o período que precede as eleições de meio mandato, marcadas para 3 de novembro, registrando apenas 33% de apoio popular.
O enfraquecimento político está fortemente ligado aos desdobramentos do conflito contra o Irã, iniciado em 28 de fevereiro. A inflação no país atingiu o ritmo mais acelerado em três anos, impulsionada pelo encarecimento dos combustíveis decorrente do fechamento do estreito de Ormuz.
O presidente chegou a declarar que “ama a inflação” e afirmou que os preços recuariam com o fim da guerra com o Irã. Desde julho, o chefe do Executivo intensificou pressões sobre os postos de gasolina para baixarem os valores imediatamente. A confluência entre inflação alta, combustível custoso e desgaste bélico cria um cenário desafiador para os candidatos republicanos nos distritos onde a economia ditará o voto.






