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Novo estudo aponta ondas cerebrais como preditoras do Alzheimer

Alzheimer: estudo identifica ondas cerebrais que podem ajudar a prever risco da doença

Uma pesquisa conduzida no Instituto do Cérebro, em Paris, identificou que ondas cerebrais lentas — geralmente associadas ao sono — podem ser detectadas enquanto a pessoa está acordada e servir como um indicador precoce do risco de desenvolvimento da doença de Alzheimer.

O papel das ondas lentas na cognição

A atividade elétrica do cérebro, registrada por meio do eletroencefalograma (EEG), varia conforme as tarefas executadas. Nos últimos anos, cientistas constataram que ondas lentas também ocorrem durante a vigília, especialmente após esforço cognitivo, episódios de privação de sono ou lapsos de atenção. Pierre Champetier, pesquisador do instituto e primeiro autor do estudo, explica que neurônios de certas áreas sincronizam sua atividade mesmo com a pessoa desperta, o que traz novas perspectivas para a compreensão das demências.

“Além dos problemas de memória, pacientes com doenças neurodegenerativas frequentemente apresentam déficits de atenção e distúrbios do sono”, explica. “O descanso costuma ser mais fragmentado, e diferentes fases do sono são alteradas, em especial o sono REM (Rapid Eyes Mouvement) e as ondas lentas características do sono profundo. Há cerca de quinze anos, diversos estudos sugerem que essas ondas lentas desempenham um papel importante na manutenção da saúde cerebral”, acrescenta.

Análise de participantes e resultados

O trabalho avaliou dados de aproximadamente 300 voluntários entre 70 e 85 anos que relatavam problemas de memória, mas mantinham resultados normais em testes neuropsicológicos. Eles passaram por exames cognitivos, ressonância magnética, PET scan e EEG. O acompanhamento revelou que os indivíduos sem placas amiloides iniciais que apresentavam ondas lentas de maior amplitude foram justamente os que acumularam mais depósitos anos depois.

“É importante destacar que este é um primeiro estudo, o primeiro a examinar especificamente as ondas lentas nesse contexto. Antes que esse tipo de avaliação possa ser incorporado à prática clínica, muitos estudos adicionais ainda serão necessários. Se pesquisas futuras confirmarem esses resultados e demonstrarem a utilidade do monitoramento dessas ondas lentas, uma vantagem importante é que o EEG é um exame simples de realizar”, diz o cientista francês.

“O objetivo, porém, não é substituir os métodos de diagnósticos existentes. Nas doenças neurodegenerativas, o diagnóstico normalmente se baseia em um conjunto de indícios. O médico leva em consideração as queixas do paciente, seu desempenho em testes cognitivos, as observações de familiares e os biomarcadores obtidos por exames complementares, como ressonância magnética e PET scan.”

Desafios terapêuticos e o futuro do diagnóstico

As terapias atuais com anticorpos antiamiloides apresentam benefícios modestos, custos elevados e riscos consideráveis de efeitos colaterais, exigindo aplicação precoce. O pesquisador reforça que o monitoramento das ondas cerebrais ajudaria a selecionar quais perfis de pacientes realmente se beneficiariam das medicações disponíveis.

“Isso levanta uma questão essencial: a quais pacientes esses tratamentos devem ser oferecidos? Como qualquer medicamento, eles apresentam riscos. Se forem administrados a pessoas que permaneceriam estáveis sem tratamento e que talvez nunca desenvolvessem a doença, os benefícios podem não compensar os possíveis efeitos colaterais”, ressalta.

“É nesse ponto que nosso estudo pode contribuir. Embora ainda haja um longo caminho a percorrer, o objetivo é acrescentar uma nova ferramenta para identificar as pessoas com maior risco de progressão da doença. Não se trata de substituir exames já estabelecidos, como a ressonância magnética ou o PET scan, mas de complementar as informações fornecidas por eles.”

Relação com distúrbios do sono

O envelhecimento traz alterações naturais no descanso, mas problemas crônicos exigem atenção médica. O especialista destaca que insônia persistente e apneia do sono não tratada aumentam as chances de patologias neurológicas a longo prazo.

“Pessoas que sofrem de distúrbios crônicos do sono, como insônia persistente, apresentam, a longo prazo, maior risco de desenvolver essas patologias. Esse risco não está relacionado a apenas uma doença cerebral, mas a várias.”

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