O setor de turismo no Amazonas enfrentou uma retração de 15% no mês de agosto de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior, conforme apontam os dados levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com a acentuada piora na qualidade do ar decorrente da fumaça gerada por queimadas e incêndios florestais, profissionais da área registram menor procura por excursões e visitantes decidindo adiar seus roteiros.
Impacto na programação e reações dos visitantes De acordo com Jairo Félix, vice-presidente da Cooperativa de Guias e Agentes de Turismo do Estado do Amazonas (Coopguiaturam), a poluição atmosférica surpreendeu os viajantes que desembarcaram no estado e interferiu diretamente na agenda de passeios, levando alguns a aguardarem condições melhores.
“Alguns passageiros que costumam passar mal acabam cancelando e não indo no passeio. Pessoas idosas e pessoas que são receosas com a questão da poluição optam por adiar um ou dois dias”, relatou.
Apesar dos contratempos, a entidade pontua que as atividades não foram paralisadas e os cancelamentos ocorrem de forma isolada, cabendo aos guias orientar os turistas sobre o cenário ambiental.
Redução no fluxo e alternativas para o setor O empresário Mario Sergio de Jesus, atuante há oito anos no ecoturismo local em cidades como Manaus, Presidente Figueiredo e Iranduba, também sentiu o impacto negativo da fumaça no fluxo de atendimento.
“A gente continua. A única coisa que acontece é a diminuição do fluxo de turista por conta do número das pessoas chegarem até aqui e se deparar com o Amazonas, que é considerado o melhor do mundo, tendo um dos piores do mundo [em qualidade do ar]”, afirmou.
Para contornar os prejuízos financeiros, o empresário aposta na divulgação de rotas alternativas nas redes sociais, destacando pontos que sofrem menos interferência e lembrando que locais como rios, cachoeiras e áreas de floresta mantêm operações.
“Em Novo Airão a gente tem um turismo diferente, imersivo, cultural. As pessoas querem conhecer as praias, os igapós. Mas teve uma queda porque a queimada afeta independente da região”, disse.
Crise ambiental e decretação de emergência O avanço da fumaça em Manaus e em outras localidades do interior está associado a fatores como a vegetação seca, baixa umidade, altas temperaturas e os impactos do fenômeno climático El Niño, somados à ação humana no início dos focos. Entre 1º de setembro e 14 de outubro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) contabilizou 5.365 focos de incêndio no estado, um salto de 195% sobre o mesmo intervalo de 2025. Diante desse panorama crítico, a gestão estadual decretou situação de emergência em 36 dos 62 municípios amazonenses, medida rapidamente homologada pelo governo federal.






