O cenário político de Israel passou por uma reviravolta neste domingo (8), quando o presidente Isaac Herzog oficializou a escolha de Gadi Eisenkot para a missão de estruturar uma nova gestão administrativa no país. A decisão, anunciada após consultas prévias, coloca o principal adversário do atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu na linha de frente para comandar o país após o impasse nas urnas ocorridas em outubro.
Prazo e regras do parlamentarismo israelense
O sistema político de Israel funciona sob o modelo parlamentarista, no qual o chefe de Estado confia a formação do gabinete à figura que demonstrar maior viabilidade de obter apoio majoritário no legislativo. Com a oficialização, o líder oposicionista terá um prazo inicial de 28 dias para consolidar acordos, período que poderá ser estendido por até 14 dias adicionais, caso haja necessidade avaliada pela presidência.
Após a oficialização, Eisenkot disse estar “convencido de que é possível formar rapidamente um novo governo”.
O apoio decisivo dos partidos árabes
A viabilidade da indicação ocorreu após a consolidação de um apoio inédito por parte das legendas árabes-israelenses, que garantiram o endosso necessário durante as rodadas de negociação. Com essa articulação, a oposição alcançou a marca de 67 assentos assegurados no Knesset, superando o patamar mínimo de 61 cadeiras exigido para governar, embora a inclusão formal desses grupos na futura coalizão ainda seja incerta.
As eleições recentes terminaram sem que nenhum bloco principal atingisse a maioria isolada, deixando o partido Likud, de Netanyahu, com 53 vagas na aliança de direita, enquanto a oposição liderada pelo partido Yashar somou 48 lugares, impulsionada pelo avanço histórico das forças que representam cerca de 21% da população árabe no país.
Perfil e trajetória do oposicionista
Aos 66 anos, o ex-chefe do Estado-Maior e filho de imigrantes marroquinos pode se tornar o primeiro premiê israelense pertencente à comunidade mizrahi. Ingresso recentemente na política, em 2022, ele acumulou forte projeção pública ao criticar a condução da segurança e a estratégia militar conduzida pelo atual premiê, além de se opor firmemente aos setores de extrema direita aliados a Netanyahu.
A trajetória recente do político também carrega forte teor pessoal e militar, marcada tanto por sua experiência na segurança nacional — incluindo a aplicação de fortes respostas estratégicas em conflitos anteriores — quanto por perdas familiares sofridas em decorrência de combates na Faixa de Gaza. O desfecho dessa articulação definirá se o país conseguirá superar o impasse institucional e inaugurar uma nova fase em sua história política.





