O primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, foi marcado por histórias de superação e desafios logísticos para centenas de estudantes que compareceram aos locais de prova neste domingo (8).
Desafios da zona rural e saúde mental
Para João Paulo Batista Oliveira, de 20 anos, o exame representou muito mais do que responder às questões de Ciências Humanas e Linguagens. Morador do Projeto Maria Tereza, na Área 19, zona rural do município, ele precisou sair de casa às 9h para garantir a chegada com antecedência à Universidade de Pernambuco (UPE), no bairro Cidade Universitária. Candidato ao curso de direito, ele busca lutar contra a violência doméstica e o racismo.
O estudante prestou o exame pela primeira vez em 2024, mirando inicialmente a graduação em história. O intervalo de dois anos ocorreu devido à necessidade de cuidar da saúde mental, após desenvolver ansiedade e depressão durante o ensino médio, período em que também precisou voltar a trabalhar.
“Fazer o Enem de novo este ano é uma maneira de dizer: ‘eu estou voltando a sonhar’. Estou tentando de novo viver, porque a vida é longa, mas é curta”, refletiu João Paulo.
Barreiras no transporte público
A logística também exigiu esforço redobrado. O candidato relatou as dificuldades enfrentadas por moradores da zona rural que não possuem veículo próprio. Segundo ele, o transporte público disponível na região não cobre o trajeto completo até sua residência, o que obriga os moradores a realizarem uma caminhada de quase 1 quilômetro.
“Para a gente que mora na área rural e não tem transporte próprio, é muito difícil fazer uma faculdade. Então, este ano vou tentar direito e também um emprego na cidade [zona urbana] para poder me mudar para cá”, explicou.
A experiência dos treineiros na estreia
Enquanto veteranos enfrentam barreiras estruturais, estudantes mais jovens aproveitam o exame como preparação. Lunara Silva Capellaro, de 17 anos, compareceu ao local acompanhada pela mãe para realizar a prova focada na futura carreira em biomedicina. Aluna do segundo ano do ensino médio e sem acesso a cursinho pré-vestibular, ela fez o exame como treineira.
“É só um treino. Espero tirar uma nota média, mas que seja suficiente para me dar confiança para o próximo Enem”, disse Lunara, que revisou o conteúdo até os momentos anteriores à entrada nos portões.
Panorama do exame na região e no país
Em Petrolina, quase 15 mil estudantes se inscreveram para esta edição do Enem. No primeiro domingo de avaliação, além das disciplinas de humanas e linguagens, os participantes produziram a tradicional redação.
Em âmbito nacional, o exame registrou mais de 5 milhões de inscrições, alcançando o maior patamar dos últimos anos, conforme dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Para comparação, a edição de 2025 contabilizou 4,8 milhões de participantes confirmados.






