Quem transita pela Rodovia Anchieta rumo ao litoral paulista certamente já notou as imponentes tubulações que cortam a Serra do Mar. Trata-se da Usina Henry Borden, complexo hidrelétrico situado em Cubatão (SP) que celebra seu centenário consolidados como um marco da engenharia nacional e peça fundamental na segurança energética do país.
História e impacto na industrialização
Inaugurado em 1926 e administrado pela Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) — estatal recentemente privatizada em leilão —, o local funcionou até 1970 como a maior usina hidrelétrica em potência instalada do Hemisfério Sul. Aproveitando um desnível impressionante de 720 metros entre o reservatório e a casa de força, o projeto garantiu um salto tecnológico para a época.
De acordo com o coordenador de operações da usina, Emerson Laube, a chegada do complexo transformou o panorama regional. “Quando foram inauguradas e, aos poucos, tendo a capacidade implantada, praticamente dobrou a geração de energia do estado de São Paulo”, afirmou, destacando o impacto direto no fortalecimento do parque fabril paulista.
Bombardeio e papel estratégico atual
A trajetória da usina guarda episódios dramáticos, como o ataque sofrido em 28 de julho de 1932 durante a Revolução Constitucionalista. Na ocasião, hidroaviões lançaram explosivos na região de Cubatão, sendo que um deles atingiu a sala de controle, danificando o teto e as janelas em uma tentativa de paralisar a produção de energia usada pelas indústrias paulistas. Apesar do susto, não houve registros de feridos graves.
Atualmente, o funcionamento da estrutura é limitado por normas ambientais estabelecidas em 1992, que restringem o bombeamento das águas do Rio Pinheiros para a Represa Billings a momentos emergenciais. Com capacidade máxima de 889 megawatts/hora — dividida entre a unidade externa e a subterrânea —, o complexo deixou de operar em carga total contínua e hoje atua como uma importante reserva para o Sistema Interligado Nacional (SIN).






