O município de Rio Bonito do Iguaçu, localizado na região central do Paraná, completa um ano da tragédia provocada por um tornado de classificação F4. O evento extremo, registrado na noite de 7 de novembro de 2025, contou com ventos devastadores que variaram entre 332 km/h e 418 km/h, resultando na morte de seis pessoas e deixando pelo menos 835 feridos.
A destruição no município Com uma população de 14,3 mil habitantes, a localidade teve 90% dos imóveis destruídos pela força dos ventos. O impacto transformou partes da cidade em mais de 60 mil toneladas de entulho, exigindo um trabalho contínuo de limpeza e reaprovamento de materiais no aterro municipal ao longo dos doze meses seguintes.
Para auxiliar na recuperação, os governos estadual e federal destinaram cerca de R$ 110 milhões em recursos, com foco principal em obras de infraestrutura. Atualmente, telhados brancos de zinco predominam na paisagem urbana, substituindo as antigas construções de madeira e marcando a transição para uma nova fase na cidade.
O impacto emocional e os relatos de sobrevivência Entre os moradores afetados estão Wendi Luana Back e o marido, Emerson Vargas, que comemoravam a gravidez da esposa quando a energia foi cortada pela tempestade. Instantes depois, a família precisou se abrigar no banheiro enquanto a residência sofria graves danos.
“Para mim, foram dois sentimentos muito diferentes: o primeiro, de agradecer a Deus pela vida; de a gente olhar e estar todo mundo vivo, ninguém machucado, sem nenhum arranhão… e depois, desespero. De olhar e não ver mais nada, não ver a sua casa, ver tudo destruído, olhar para os vizinhos e ver as casas todas no chão”, relatou Wendi Luana Back.
Mesmo com a reconstrução do lar a tempo de receber a filha Mariana, atualmente com quatro meses, o casal relata que o trauma permanece ativo. “Tem as memórias difíceis, a gente sofre quando dá uma chuvinha um pouco mais forte…. É um ano para agradecer pela nossa vida, a vida da nossa família que está aqui”, afirma o casal.
O luto também marca a rotina de outros moradores, como Marilda Carvalho Risso, que perdeu o marido, Claudino Paulino Risso, soterrado na residência do casal durante o temporal. Questionada sobre a possibilidade de voltar a sorrir após um ano, ela respondeu que apenas “por fora”. “Mas eu acredito que, com o tempo, a gente vai se acostumando, né”, declarou Marilda Carvalho Risso.
A formação dos tornados no Paraná De acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental (Simepar), o desastre foi provocado pelo ramo frio de um ciclone extratropical no Sul do Brasil, que gerou nuvens de tempestade altamente instáveis.
“Algumas dessas nuvens, imersas em um ambiente de elevada instabilidade termodinâmica, intensificaram-se ainda mais, evoluindo para a categoria de supercélulas, com características de rotação em torno de seu eixo vertical. O cisalhamento vertical intenso do vento e o transporte de ar quente e úmido foram cruciais para a evolução das tempestades”, explicou o Simepar.
No total, três tornados atingiram 11 cidades paranaenses na mesma data. O primeiro fenômeno percorreu 75 km entre Quedas do Iguaçu e Cantagalo, atingindo sua maior intensidade — com uma faixa de destruição de 3.250 metros de largura — em Rio Bonito do Iguaçu. A força foi tão intensa que arrancou a casca de árvores e arrastou uma colheitadeira de 16 toneladas.
O segundo tornado gerou destruição entre Candói e o distrito de Entre Rios, em Guarapuava, evoluindo para a categoria F4 e arremessando contêineres a 150 metros. Já o terceiro evento ocorreu em Turvo, classificado como F2, afetando matas e construções na região da Cachoeira dos Turcos.






