A composição do governo para o quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com início previsto para 5 de janeiro de 2027, deve atingir a marca inédita de 40 pastas. A ampliação do primeiro escalão é desenhada para cumprir compromissos assumidos na campanha eleitoral e, simultaneamente, assegurar a governabilidade por meio da distribuição de cargos a partidos aliados e legendas do Centrão.
As novas pastas em estudo pelo Executivo
O avanço rumo ao número recorde começa pela formalização do Ministério da Segurança Pública. A separação dessa estrutura em relação ao Ministério da Justiça ganhou respaldo após o Senado aprovar a PEC da Segurança. Integrantes do Executivo sustentam que a medida não acarretará elevação significativa de custos ou criação expressiva de cargos, restringindo o acréscimo praticamente ao gabinete do novo ministro.
Com esse desmembramento, o total de pastas chegaria a 39. A 40ª vaga viria com a eventual criação do Ministério do Idoso, uma proposta que ainda está em fase inicial de conversas com auxiliares diretos. Além dela, é avaliada a instituição de uma pasta voltada à Comunicação Digital, que poderia permanecer sob a alçada da Secretaria de Comunicação Social (Secom).
Histórico ministerial e pressões orçamentárias
Caso o desenho seja efetivado, a gestão superará o ápice registrado no segundo mandato de Dilma Rousseff, quando a Esplanada contou com 39 ministérios. Ao longo da Nova República, a quantidade de órgãos variou de acordo com a orientação política de cada gestão:
- Fernando Collor: 16 ministérios;
- Jair Bolsonaro: até 23 pastas;
- Michel Temer: 29 ministérios;
- Fernando Henrique Cardoso: pico de 30 pastas;
- Dilma Rousseff: recorde anterior de 39 pastas.
O tema deve repercutir na elaboração da Lei Orçamentária de 2027, gerando críticas sobre a ampliação do aparato estatal. Lula, contudo, já rebateu questionamentos sobre o inchaço da máquina pública. Em declaração feita em janeiro, o presidente afirmou que “quanto menos ministérios você tem, mais incompetente é”.
Articulação política e nomes cotados
A engenharia do próximo mandato envolve equilibrar lideranças do PT e de outras agremiações estratégicas. Estão no radar lideranças como Silvio Costa Filho (Republicanos), Renan Filho (MDB) e Eduardo Paes (PSD), com a bancada do PSD cotada também para indicar o titular da Pesca.
Para postos-chave, despontam nos bastidores o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), lembrado para a Fazenda, e o senador Camilo Santana (PT-CE), cogitado para a Casa Civil. O atual titular do Planejamento, Bruno Moretti, figura entre as preferências do mandatário. O ex-ministro Fernando Haddad é avaliado para até três pastas distintas, enquanto o vice-presidente Geraldo Alckmin é ventilado tanto para a Defesa quanto para a Fazenda.
No setor financeiro, voltou a circular a hipótese de Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Conselho de Administração do Bradesco, assumir a Fazenda. Convidado em 2014 por Dilma Rousseff, o executivo declinou na época e sugeriu o nome de Joaquim Levy, que viria a implementar o ajuste fiscal do segundo mandato da petista.






