O Banco Central do Paraguai (BCP) informou que os recursos de 1.196.000 correntistas do Banco Ueno foram restituídos após o bloqueio gerado pela interrupção repentina das atividades da instituição. A quantia total devolvida equivale a aproximadamente R$ 880 milhões, retirados diretamente do Fundo de Garantia de Depósitos.
Coletiva de imprensa e esforço governamental
Os dados foram divulgados no Palácio López após uma cúpula de emergência que reuniu o presidente interino Pedro Alliana, líderes da economia e a diretoria do BCP. O ministro da Economia e Finanças, Óscar Lovera, afirmou que o governo mobilizou todas as frentes para dar uma resposta rápida à crise. “Fomos instruídos a fazer o máximo esforço para tranquilizar os poupadores afetados”, declarou. O Fundo de Garantia de Depósitos atuou como reserva estratégica para resguardar os clientes diante da intervenção. Por sua vez, o presidente interino do BCP, Pedro Acosta, garantiu que alternativas seguem em análise para atender os depositantes com saldos acima do limite garantido.
Impacto na previdência e aposentados
A crise também afetou diretamente beneficiários do Instituto de Seguridade Social (IPS). Cerca de 32 mil aposentados, de um total de 90 mil cadastrados, recebiam suas prestações por meio da instituição financeira. O presidente do órgão, Derlis León, assegurou que o próximo pagamento mensal será repassado normalmente no dia 17 de novembro, enquanto as contas são migradas para outros oito bancos locais.
Investigações e crise política
O Banco Ueno, maior banco digital e principal emissor de cartões de crédito do Paraguai, acumulava cerca de 3 milhões de clientes e gerenciava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos. A situação escalou quando os índices de solvência despencaram para menos da metade do mínimo exigido. O Ministério Público pediu a prisão de oito pessoas e investiga 27 suspeitos por fraude e estelionato. O escândalo provocou repercussão institucional severa: Carlos Carvallo renunciou à presidência do BCP, enquanto o então presidente Santiago Peña sofreu impeachment, teve a prisão decretada e deixou o cargo. Apesar da turbulência, as autoridades econômicas sustentam que a quebra é um caso isolado e não ameaça a estabilidade sistêmica do país.






