A vereadora Alana Passos (PL) protocolou nesta quinta-feira, 5, um pedido formal para que o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal do Rio de Janeiro investigue a conduta de Rick Azevedo (Psol). A parlamentar acusa o colega de misoginia após uma discussão acalorada ocorrida no plenário ao término de uma sessão.
Disputas políticas que viram ataques pessoais No documento enviado ao presidente da Câmara, Carlo Caiado, a vereadora define o atrito como “uma clara, uma explícita manifestação de misoginia”. O atrito começou quando Rick discursava sobre o fim da escala 6×1 e direcionou suas críticas à parlamentar. O vereador é conhecido por fundar o movimento Vida Além do Trabalho.
Durante o bate-boca, o parlamentar psolista fez declarações diretas à colega de plenário. “Vossa Excelência vai ter que se candidatar, fazer uma campanha melhor, porque foi um fracasso, se eleger como deputada federal e aí, quem sabe, eu vou dar palco para a senhora”, afirmou. Em outro momento, continuou: “A senhora vai ficar assim, brigando sozinha, brigando com o inimigo invisível, porque aqui não tem ninguém inimigo da senhora, ninguém liga para a senhora.”
Acusações de hipocrisia e histórico de atritos Além dos ataques verbais no plenário, Rick acusou a adversária política de cinismo e hipocrisia, questionando sua postura em relação aos direitos das famílias trabalhadoras. A discussão prosseguiu mesmo após o encerramento oficial da sessão, com registros em vídeo do vereador gesticulando em pé entre as bancadas.
No ofício protocolado, argumenta-se que divergências políticas “foram conduzidas ao terreno pessoal”. O texto aponta ainda que “a transformação do contraditório parlamentar em ataques pessoais e manifestações depreciativas contra outro representante eleito não pode ser naturalizada como simples manifestação de divergência ideológica”.
Reincidência e denúncias paralelas Alana Passos destacou que esta não é a primeira vez que sofre ofensas por parte do mesmo colega. Em situação anterior, o parlamentar teria publicado um vídeo no qual a chamava de “porca” e “escravocrata”. Este é o segundo ofício enviado à presidência da Casa contra Rick; em 29 de setembro, a vereadora já havia acionado a mesa diretora para apurar denúncias públicas de suposto assédio moral, perseguição a funcionários e uso indevido da estrutura de gabinete.
A resolução da Câmara Municipal estabelece que o uso de palavras ou gestos que afetem a dignidade do mandato de outros vereadores é incompatível com o decoro parlamentar. Cabe agora à presidência da Casa analisar o envio da representação ao Conselho de Ética.
Contexto da sessão e denúncias na tribuna O confronto ocorreu na mesma data em que Alana utilizou a tribuna para expor supostos casos de asspar eapressão eleitoral envolvendo servidores da Prefeitura do Rio. Citando relatos divulgados pela página Campo Grande ao Vivo, a parlamentar afirmou que professores estariam sofrendo pressão para comparecer a um show de Diogo Nogueira com objetivos políticos.
Diante disso, a vereadora iniciou a coleta de assinaturas para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de investigar o caso. “Eu, como vereadora, não posso ficar omissa a essa situação”, declarou. “Nós temos que trabalhar e mostrar para que, de fato, viemos.”






