A Secretaria de Patrimônio da União (SPU) determinou a suspensão dos registros de quatro terrenos localizados na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro. Os imóveis pertencem a uma empresa do advogado Willer Tomaz e são alvo de uma disputa judicial com o atacante Richarlison.
Bloqueio decorre de decisão do STF A medida foi adotada pelo órgão federal após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinar o bloqueio de bens do advogado no final de outubro. Com a suspensão temporária no sistema de gestão de imóveis, fica proibida a transferência de posse dos locais para terceiros.
O despacho emitido pela SPU cita questionamentos levantados pelos deputados federais Tabata Amaral e Rogério Correia sobre os trâmites de repasse dos lotes.
“Nesse sentido, pelo princípio da cautela, avalia-se pertinente a suspensão temporária dos imóveis em questão no SIAPA – sistema de informação para gestão de imóveis dominiais da União – de modo a restringir a transferência de posse e evitar a extensão desse caso a outras partes”, diz o despacho.
Apuração sobre rapidez na tramitação A gestão atual do órgão identificou pontos suspeitos na emissão da Certidão de Autorização para Transferência referente a uma mansão na mesma ilha, vendida para a empresa de Willer Tomaz em 2022. O processo chamou atenção pela rapidez na emissão manual do documento, liberado em menos de duas horas após um pedido fundamentado em suposta falha sistêmica.
A SPU também pontuou que a autorização baseou-se em uma decisão judicial não anexada por completo ao processo administrativo. Diante das irregularidades, o caso foi encaminhado para investigação na Controladoria-Geral da União, na Polícia Federal e no Ibama, que apurará eventuais crimes ambientais.
Origem da disputa envolvendo o jogador O impasse jurídico gira em torno de uma mansão com cachoeira particular na Ilha Comprida. O atacante Richarlison sustenta ter adquirido a propriedade em 2020 por R$ 10 milhões de antigos moradores e tentou regularizar a situação por meio de sua empresa, a Sport 70.
Por outro lado, a defesa de Willer Tomaz argumenta que comprou o espaço de uma companhia detentora do registro legal. O jogador ainda acusa o advogado e o senador Flávio Bolsonaro de tentativa de coação para a venda do imóvel após recusa inicial de negociação com o parlamentar. A defesa do advogado optou por não comentar o caso, enquanto o senador não respondeu aos contatos da imprensa.






