Cinco pessoas foram formalmente denunciadas pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) sob a acusação de envolvimento em crimes como tortura, sequestro e cárcere privado em um estabelecimento terapêutico localizado em Terra Roxa, na região oeste paranaense.
Detalhes da Operação Aurora
A investigação conduzida pela Promotoria de Justiça de Terra Roxa revelou que a Clínica Médica Vida Nova mantinha 72 mulheres internadas, muitas delas contra a própria vontade. As internas sofriam com castigos físicos e psicológicos, trabalho forçado e rigorosa restrição de contato com familiares.
Entre os acusados estão o dono da instituição — que segue detido desde a deflagração da Operação Aurora em setembro —, a administradora, o coordenador terapêutico, uma terapeuta que atuava na coordenação e um médico do local, este último respondendo especificamente por tortura. Os demais respondem por sequestro e cárcere privado.
Esquema de internações e punições
De acordo com os promotores, as pacientes eram admitidas no local a pedido de parentes ou terceiros, sem que houvesse consentimento próprio ou laudo médico prévio. Os acordos financeiros eram firmados diretamente com os responsáveis financeiros, estipulando prazos fixos.
Para conseguir a liberação do local, as internas precisavam quitar todas as mensalidades em aberto e arcar com o pagamento de uma multa rescisória caso houvesse quebra antecipada do contrato, prática tratada pela administração como “alta administrativa”.
Para impedir fugas, a instituição utilizava barreiras físicas como portões e portas trancadas durante os períodos noturnos, além de confiscar aparelhos celulares e monitorar rigorosamente as chamadas telefônicas. O prolongamento arbitrário do tempo de permanência era frequentemente utilizado como forma de punição.
Uso de sedativos e irregularidades
O órgão ministerial apontou ainda a administração forçada de medicamentos sedativos, que recebiam o apelido interno de “danone”, com o objetivo de deixar as pacientes em estado de inconsciência.
Na época da operação, a promotora de Justiça Gabriela Hanna Pereira, responsável pelo caso, afirmou que algumas mulheres teriam sido levadas ao estabelecimento sem autorização legal.
“Há relatos de que vítimas foram capturadas por pessoas não identificadas e entregues à clínica sem nenhuma ordem judicial ou solicitação médica anterior”, disse.
Além disso, constatou-se que o espaço funcionava sem a presença de médico psiquiatra ou diretor técnico responsável, omitindo do Ministério Público as notificações obrigatórias sobre as internações.
Cobrança de indenizações
A acusação foi formalizada em conjunto pela Promotoria de Terra Roxa e pelo Núcleo Regional de Umuarama do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Além das penas criminais, o MPPR exige que os cinco réus sejam condenados ao pagamento de indenizações por danos morais e materiais às dezenas de vítimas afetadas.
O estabelecimento comercial não chegou a sofrer interdição imediata no período da operação. A justificativa apresentada foi a impossibilidade logística de realocar todas as pacientes simultaneamente, prevendo-se uma remoção gradual que não teve novos desdobramentos divulgados publicamente.






