O político paraguaio Santiago Peña (Partido Colorado, direita), de 47 anos, comunicou sua renúncia ao cargo de presidente na quinta-feira (5.nov.2026). Em pronunciamento publicado no X, afirmou que a decisão buscava preservar a estabilidade do país, em meio às repercussões do caso Ueno Bank.
H2 A crise política e o processo de impeachment Apesar do anúncio oficial, a saída do chefe de Estado não foi concluída de imediato. Conforme dados da agência EFE, Peña seguiu formalmente no comando do país na sexta-feira (6.nov), uma vez que a sessão do Congresso convocada para avaliar sua renúncia não atingiu o quórum necessário. Enquanto isso, o Senado deu continuidade ao processo de impeachment.
A pressão sobre o governo escalou drasticamente depois que o Banco Central paraguaio decretou, em 3 de novembro, a intervenção no Ueno Bank. A autoridade monetária apontou que o índice de solvência da instituição despencou para menos da metade do patamar mínimo regulatório, paralisando serviços e afetando milhões de correntistas.
O presidente havia mantido ligação com o setor por ter sido acionista do Grupo Vázquez, associado ao banco. Conforme informações da Reuters, ele declarou ter alienado sua fatia societária em março de 2025. O mandatário nega qualquer ilícito e rejeita ter exercido influência indevida nas operações da instituição.
Como desdobramento, a Câmara dos Deputados avalizou a abertura do processo de impedimento na quinta-feira com 78 votos favoráveis. A peça acusatória aponta indícios de conflito de interesses e questiona o uso de verbas públicas envolvendo o banco, embora a solicitação de impeachment contra o vice-presidente Pedro Alliana tenha sido descartada pelos parlamentares.
H2 Trajetória na economia e na política Nascido em 16 de Assunção em 16 de novembro de 1978, Peña construiu uma sólida carreira no setor econômico. Graduou-se em economia pela Universidad Católica Nuestra Señora de la Asunción em 2001 e obteve o título de mestre em Administração Pública na Universidade Columbia (EUA) em 2003.
Sua trajetória profissional passou pelo Banco Central do Paraguai de 2000 a 2009. Posteriormente, trabalhou no FMI (Fundo Monetário Internacional), sediado em Washington, atuando como economista focado em nações africanas. Em 2012, regressou ao Paraguai para compor a diretoria do Banco Central, conforme registros do Banco Mundial. Na vida pessoal, é casado com a arquiteta Leticia Ocampos, com quem tem dois filhos, tendo sido pai pela primeira vez aos 17 anos, segundo dados biográficos da Universidade Columbia.
H2 A ligação com Cartes e a chegada ao poder A entrada de Peña na política institucional esteve fortemente vinculada ao ex-presidente Horacio Cartes. Durante a gestão de Cartes, comandou o Ministério da Fazenda entre os anos de 2015 e 2017, período em que ingressou oficialmente no Partido Colorado, em 2016. Após deixar a pasta ministerial, passou a integrar o conselho do Banco Basa, pertencente ao Grupo Cartes.
Sua tentativa inicial de alcançar a chefia do Executivo ocorreu nas primárias partidárias de 2017, quando foi derrotado por Mario Abdo Benítez, que viria a vencer o pleito nacional de 2018. Novamente na disputa pela indicação colorada em 2022, Peña sagrou-se vitorioso. Na votação de 30 de abril de 2023, superou o candidato oposicionista Efraín Alegre, assumindo a presidência em 15 de agosto daquele ano ao lado do vice Pedro Alliana, com mandato inicialmente previsto para se estender até 2028.
H2 Alinhamento internacional com os Estados Unidos Durante sua administração, o governante buscou estreitar laços diplomáticos e econômicos com a gestão de Donald Trump (Partido Republicano) nos Estados Unidos. Em 22 de outubro de 2026, encontrou-se na capital norte-americana com o secretário do Tesouro, Scott Bessent, para debater acordos bilaterais de cooperação financeira.
O comunicado oficial emitido pelo Tesouro dos Estados Unidos enfatizou o interesse mútuo no desenvolvimento de parcerias voltadas a minerais críticos, recursos fundamentais aplicados em segmentos como tecnologia, matrizes energéticas e defesa.
Com o avanço dos procedimentos institucionais, o Senado agendou a continuidade do julgamento político para esta sexta-feira (6.nov,2026), cabendo exclusivamente à Casa deliberar sobre a destituição definitiva do presidente.






