Um médico psiquiatra foi sentenciado a 10 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão, em regime inicial fechado, após atropelar dois ciclistas na Rodovia Leonor Mendes de Barros (SP-333), em Guarantã, no interior de São Paulo. O acidente, ocorrido em 29 de junho de 2024, resultou na morte de um dos esportistas e em ferimentos graves no outro. A decisão judicial, proferida pela Justiça de Cafelândia, foi oficializada na última quarta-feira (4).
Detalhes da condenação e indenizações
Além da pena privativa de liberdade, a Justiça determinou a suspensão da habilitação do réu por três anos e seis meses, com efeito imediato. O magistrado estabeleceu ainda o pagamento de indenizações mínimas: R$ 100 mil para a família de Elissandro Hipocreme, que não resistiu ao impacto, e R$ 50 mil ao ciclista sobrevivente, que sofreu sequelas permanentes. O réu, cuja identidade foi preservada, foi condenado por homicídio culposo e lesão corporal grave, agravados pela condução sob influência de substâncias psicoativas e omissão de socorro.
Investigação aponta negligência e uso de medicamentos
O Ministério Público comprovou que o profissional dirigia sob o efeito combinado de medicamentos psiquiátricos. Relatórios do Instituto Médico Legal e depoimentos de socorristas confirmaram que o motorista apresentava sonolência intensa e descoordenação motora, chegando a adormecer tanto na ambulância quanto na viatura policial logo após o ocorrido. A investigação também refutou a tese da defesa de que os ciclistas teriam invadido a pista, comprovando que eles trafegavam corretamente pelo acostamento em fila única.
Histórico de infrações de trânsito
O prontuário do condutor foi um fator determinante para o rigor da sentença. Ficou constatado que ele operava o veículo com a Carteira Nacional de Habilitação vencida desde março de 2023 e com o licenciamento do automóvel em atraso. Além disso, o histórico do motorista revelava seis suspensões anteriores do direito de dirigir. Diante de contradições no processo, o Ministério Público solicitou a abertura de um inquérito para investigar a possibilidade de falso testemunho por parte de um médico que prestou depoimento em favor da defesa.
O desfecho do caso encerra uma etapa judicial importante para os familiares das vítimas, enquanto o réu aguarda o desenrolar dos recursos em liberdade.






