As grandes empresas de tecnologia possuem a capacidade de direcionar escolhas políticas e interferir na percepção dos usuários, colocando em risco a diversidade de visões na sociedade. A avaliação foi feita pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, durante participação no Global Digital Forum, realizado em Moscou.
Impacto das big techs na democracia
De acordo com a representante diplomática, essas corporações utilizam aparatos digitais para moldar a mentalidade coletiva sob a fachada de representar o desejo dos cidadãos. Ela ressaltou que governos e companhias associadas a sistemas democráticos podem manipular resultados políticos por meio dessas plataformas.
“Tendo agora acesso em nível tecnológico à própria formação do pensamento –à formação e ao impacto sobre o modo de pensar–, acontece que, mesmo se denominando países democráticos, certos governos ou empresas de tecnologia, que fazem parte desses regimes, podem, sob o disfarce de uma estrutura democrática, obter um resultado previamente desejado, apresentando-o como a vontade do povo, os pensamentos das pessoas e assim por diante”, declarou.
O papel da inteligência artificial
A porta-voz destacou ainda que o avanço de inovações tecnológicas potencializa cenários de controle comportamental, elevando os riscos a patamares extremos.
“As tecnologias de ponta, incluindo a inteligência artificial, atuam como poderosos catalisadores dessas tendências, capazes de levar esse sistema a um extremo; um extremo que beira o mais puro absurdo”, afirmou Zakharova.
Além disso, a dependência de interfaces automatizadas como principais fontes de notícias restringe o espaço para análises plurais e divergentes, substituindo a imprensa tradicional por respostas programadas.
Ameaça ao pluralismo de opiniões
Durante seu discurso, a autoridade russa condenou a proliferação de inverdades, dogmas e narrativas manipuladas, apontando que a intolerância ideológica acompanha a erosão do debate democrático.
“O pluralismo é um elemento social crucial –uma construção social fundamental e uma das principais ferramentas que permitem à população, em tais países, formar um juízo sensato sobre o curso de ação adotado pelas autoridades e avaliá-lo; uma avaliação que as autoridades deveriam levar em consideração”, afirmou.
A representante do governo russo esteve no centro dos debates internacionais para expor sua visão sobre o ecossistema digital contemporâneo e os perigos associados à concentração de poder tecnológico.






