A infraestrutura de transporte no Brasil é o maior desafio enfrentado pelo setor industrial, sendo apontada como a principal dificuldade por 75% dos empresários de médio e grande porte. O dado faz parte de um levantamento realizado com 2,5 mil companhias em todos os estados brasileiros.
Dependência excessiva do modal rodoviário
A pesquisa evidencia uma concentração crítica da matriz logística nas rodovias, utilizadas por 98% das indústrias para o escoamento de mercadorias. O cenário é agravado pela distância dos trajetos: quase um quarto das empresas (23%) transporta seus produtos por percursos superiores a 1,6 mil quilômetros.
Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o uso intensivo de caminhões em longas distâncias eleva os custos operacionais. A entidade defende a necessidade de integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias e cabotagem. O interesse por essa diversificação existe, já que 45% das empresas que utilizam estradas migrariam parte de suas cargas para outros modais caso houvesse infraestrutura adequada, com 63% delas apontando as ferrovias como a alternativa prioritária.
Custos logísticos e competitividade
O impacto financeiro é um ponto de alerta constante. Três em cada quatro empresários classificam os gastos com transporte como altos ou muito altos. Além disso, 91% relataram aumento nessas despesas na última década, sendo que 70% destacam que a alta foi expressiva o suficiente para corroer a competitividade dos negócios. O setor também sofre pressão com a energia elétrica, considerada cara por 81% dos executivos.
Avaliação da infraestrutura nacional
No ranking de percepção dos empresários sobre os serviços de infraestrutura, os melhores índices de aprovação ficaram com aeroportos (64%), telecomunicações (62%) e fornecimento de energia (60%). Na outra ponta, os modais de transporte registraram as avaliações mais baixas:
- Rodovias: 38% de aprovação
- Hidrovias: 27% de aprovação
- Ferrovias: 21% de aprovação
O desempenho ruim das ferrovias é atribuído à precariedade das linhas, com trechos abandonados ou inoperantes. Estima-se que, da malha de 30 mil quilômetros existente, cerca de 12 mil quilômetros estejam sem operação.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou os múltiplos desafios do setor: “Existe uma grande insatisfação dos empresários com algumas áreas da infraestrutura brasileira. O levantamento aponta problemas como rodovias em más condições, trechos ferroviários abandonados, limitações de acesso e capacidade nos portos, falhas no fornecimento de energia, dificuldades de conectividade à internet e restrições para o tratamento e a destinação de efluentes”
Alban reforçou o impacto direto desses entraves na economia: “São gargalos que encarecem a produção, ampliam o Custo Brasil e comprometem a competitividade da indústria brasileira”
O estudo, realizado pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, compõe o Panorama da Infraestrutura: Principais Demandas da Indústria Brasileira, que consolida propostas nacionais e centenas de demandas regionais para destravar o desenvolvimento do setor.






