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Banco Central do Paraguai inicia devolução de depósitos do Ueno Bank

BC do Paraguai inicia pagamentos a clientes do Ueno Bank

O Banco Central do Paraguai (BCP) deu início, nesta quinta-feira (5.nov.2026), ao cronograma de restituição dos recursos de correntistas do Ueno Bank. A instituição bancária havia sido submetida a um regime de resolução na última terça-feira (3.nov), após a constatação de graves problemas financeiros. Para agilizar o processo, a autoridade monetária lançou uma plataforma digital de consulta, que permite aos clientes verificar em qual banco ou financeira receberão o montante garantido pelo Fundo de Garantia de Depósitos (FGD).

Desafios técnicos na consulta

Embora a ferramenta tenha sido criada para evitar que o correntista dependa exclusivamente do envio de e-mails, o sistema enfrentou instabilidades severas logo após o lançamento. O alto volume de acessos simultâneos sobrecarregou o portal, levando o Banco Central a confirmar falhas temporárias. Equipes técnicas foram mobilizadas para restabelecer a normalidade do serviço e garantir o acesso às informações sobre os valores a receber e as instituições designadas para a transferência.

Logística de pagamento e descontos

O processo de devolução prevê o desconto automático de eventuais dívidas vencidas que o cliente possua junto ao banco em resolução. Para aqueles que já possuem relacionamento bancário, o valor será depositado na conta de maior saldo. Já para os correntistas sem vínculo com outras instituições, o BCP informou que será aberta uma conta de poupança provisória. Segundo o jornal paraguaio Hoy, cerca de 280 mil pessoas estão neste grupo. Essas contas terão validade inicial de 90 anos e serão abertas sem a necessidade de apresentação imediata de documentos habituais.

Critérios para a primeira etapa

Nesta fase inicial, o BCP priorizou um grupo específico de correntistas que cumpre três requisitos simultâneos: possuir depósitos de até 10 milhões de guaranis, não apresentar pendências financeiras com o Ueno Bank e deter conta ativa em outra instituição financeira do Paraguai. A cobertura do FGD atinge até 75 salários mínimos por depositante, o que, para o caso específico do Ueno, totaliza um teto de 228,3 milhões de guaranis por pessoa.

Contexto do colapso e crise política

O Ueno Bank, que contava com cerca de 3 milhões de clientes — quase metade da população do país —, entrou em colapso após fiscalizações revelarem que seu índice de solvência estava abaixo de 50% do mínimo exigido por lei. A situação gerou protestos intensos em Assunção, culminando em conflitos entre manifestantes e a Polícia Nacional.

A crise também atingiu o governo do presidente Santiago Peña. Sob pressão, o então presidente do BC, Carlos Carvallo, renunciou ao cargo, sendo substituído pelo economista Raúl Vera Bogado. A oposição parlamentar agora exige investigações sobre a relação do governo com o banco. Opositores argumentam que o Executivo teria manipulado regras para beneficiar o Grupo Vázquez e apontam, em documento assinado por deputados, que o presidente deveria ser investigado por pontos como:

“conflito de interesses e cooptação do Estado;” “manipulação regulatória e desvio de fundos de aposentadoria do IPS;” “exceder os limites de crédito no UENO Bank e encobrimento institucional do Banco Central;” “benefício patrimonial indevido e indícios de enriquecimento ilícito;” “afeção da confiança no sistema financeiro nacional e exposição a um risco sistémico.”

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