O Ueno Bank, apontado como o maior banco digital do Paraguai, entrou em processo de resolução após o Banco Central do país constatar uma queda vertiginosa em seus índices de solvência. A medida drástica deixou cerca de 3 milhões de clientes — o equivalente a quase metade da população paraguaia — sem acesso imediato aos valores guardados na instituição, desencadeando uma forte onda de protestos nas ruas da capital e uma investigação criminal conduzida pelo Ministério Público.
Os motivos da intervenção no banco digital
Na 2ª feira (2.nov.2026), a diretoria do Banco Central do Paraguai determinou por unanimidade a intervenção após auditorias revelarem que a solvência da empresa havia despencado para menos da metade do patamar legal exigido. Meses de fiscalização anterior já haviam apontado irregularidades em créditos concedidos a companhias do próprio grupo controlador, o que exigiu checagens profundas no fluxo financeiro e resultou em um desgaste severo na liquidez do banco.
Com a abertura do procedimento oficial, as atividades foram paralisadas e os saldos dos correntistas ficaram congelados de forma temporária. Em resposta ao escândalo, a Justiça determinou a emissão de ordens de prisão contra oito administradores e ex-gestores, entre eles o presidente da instituição, Juan Manuel Gustale, e o empresário Miguel Vázquez.
Mudança no comando econômico e repercussão política
A instabilidade institucional respingou diretamente na cúpula do governo. O presidente paraguaio, Santiago Peña, solicitou a saída do então chefe do Banco Central, Carlos Carvallo, que oficializou sua demissão na 3ª feira (3.nov). Para o posto, o chefe do Executivo indicou o economista Raúl Vera Bogado, cujo nome foi enviado ao Congresso para aprovação. Vale destacar que registros apontam que o próprio Peña atuou como acionista do Grupo Vázquez até o início de 2025.
Enquanto a transição ocorre na cúpula estatal, correntistas enfrentam incertezas sobre o resgate do capital. O Fundo de Garantia de Depósitos prevê o ressarcimento de até 228,3 milhões de guaranis por indivíduo — aproximadamente R$ 205 mil. Os primeiros repasses serão limitados a 10 milhões de guaranis (cerca de R$ 9.000), enquanto o restante do montante coberto seguirá um cronograma específico. Para quantias superiores ao teto, a Superintendência de Bancos analisa alternativas de compensação de ativos. O governo também assegurou a manutenção do calendário de pagamento de aposentadorias que dependiam da rede bancária.
Protestos e revolta popular na capital
A revolta com o bloqueio do dinheiro levou centenas de cidadãos e aposentados aos protestos na região central de Assunção. O que começou como um ato pacífico em favor da restituição integral dos valores evoluiu para confrontos com a Polícia Nacional quando manifestantes tentaram marchar em direção ao prédio do Congresso. As mobilizações continuaram nos dias seguintes, impulsionadas por centrais sindicais que denunciam a gestão do caso e exigem o impeachment de autoridades do alto escalão do governo.






