Candidatos aprovados no concurso do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) protestaram nesta terça-feira (3) em frente ao Ministério da Fazenda, em Brasília. O ato cobra o avanço de um processo administrativo que visa elevar de 120 para 356 o total de novos profissionais incorporados à corporação ainda no decorrer de 2026.
Tramitação travada na Fazenda
De acordo com os organizadores do protesto, o pedido para modificar o Anexo 5 da Lei Orçamentária Anual (LOA) está parado há cerca de um mês aguardando um despacho do secretário-executivo da pasta, Rogério Ceron. Para que a ampliação das vagas se concretize, a proposta ainda precisará de aval da Casa Civil, da Comissão Mista de Orçamento (CMO) e do Congresso Nacional.
Integrante da comissão representativa dos candidatos, Lucas Almeida, 28 anos, destacou que existem verbas disponíveis na corporação e que os laudos técnicos já foram emitidos de forma favorável ao pleito.
“Hoje existe uma previsão de 120 na LOA. Mas, assinando esse documento, ele ainda vai passar por uma apreciação na Casa Civil, posteriormente na CMO e no Congresso. E aí, aprovando, nós teremos a incorporação de 356 bombeiros ainda no ano de 2026”, disse.
Esforços políticos e resposta oficial
Apesar de parlamentares terem enviado ofícios ao órgão federal na tentativa de agilizar a burocracia, os aprovados relatam que continuam sem nenhuma previsão concreta sobre o andamento dos trâmites.
Em nota enviada à imprensa, a equipe econômica ponderou que o pleito demanda cautela devido aos reflexos financeiros de longo prazo.
“Informamos que o processo está em análise. Por se tratar de uma medida que implica a criação de despesa permanente, em um contexto de desafios fiscais significativos enfrentados pelo Distrito Federal, é necessária uma avaliação mais aprofundada. O assunto deverá ter encaminhamento em breve”, declarou a Fazenda.
Déficit e sobrecarga na tropa
Além da demora na liberação das vagas, os manifestantes chamam atenção para o desabastecimento de pessoal na segurança pública da capital federal. Conforme os dados apresentados, a lei determina um quadro de cerca de 9.000 militares, mas o efetivo real não passa de 5.000 bombeiros, sendo que apenas 3.000 atuam no atendimento direto à população, como salvamentos, combates a incêndios e ocorrências de trânsito.
Também membro da comissão dos aprovados, João Vitor Santa Rosa, 24 anos, ressaltou que a defasagem atual gera exaustão e sobrecarga na rotina dos quartéis.
“Um bombeiro nas ruas faz um trabalho de 3 que deveriam estar na função dele”, declarou.
O restante do efetivo, equivalente a 2.000 servidores, cumpre funções administrativas fundamentais para a estrutura da instituição. A comissão pontua ainda que a corporação perde aproximadamente 500 agentes por ano que entram para a reserva remunerada, tornando a reposição urgente e constante.






