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Partido Novo rejeita Hugo Motta e articula candidatura própria na Câmara

Novo rechaça apoio a Motta e deve lançar candidatura própria à presidência da Câmara

O Partido Novo decidiu que terá um postulante próprio na disputa pela presidência da Câmara dos Deputados, marcada para fevereiro de 2027, recusando qualquer possibilidade de aliança para a recondução do atual chefe da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). A legenda mapeia três deputados federais para a vaga: Jeffrey Chiquini (PR), Luiz Lima (RJ) e Adriana Ventura (SP), com o objetivo de selecionar um nome alinhado às bandeiras do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Enquanto isso, a candidatura de Motta já aglutina apoios expressivos de siglas do centrão, do PL — que formará a maior bancada na próxima legislatura — e da federação partidária liderada pelo PT, PCdoB e PV.

Guinada conservadora e alianças estratégicas

A estratégia de lançar um concorrente identificado com a direita representa um novo capítulo na trajetória nacional da sigla. Fundada sob os pilares do liberalismo econômico e do enxugamento do Estado, a organização política intensificou os movimentos de aproximação com figuras conservadoras e com a base bolsonarista.

Esse reposicionamento ficou evidente em outubro, quando a legenda declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno da corrida presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, afirmou que a legenda pretendia combater o governo petista e defender o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.

As tratativas para essa união começaram meses antes. Ainda no primeiro semestre, alas da sigla articularam uma chapa unindo Flávio Bolsonaro e Romeu Zema para o pleito presidencial, embora o então pré-candidato mineiro tenha hesitado em abrir mão de sua própria candidatura naquele momento.

Impacto da cláusula de barreira na sobrevivência partidária

Por trás da guinada política está a urgência de expansão eleitoral. Antes do pleito de outubro, a agremiação convivia com a ameaça real de naufragar na cláusula de barreira, norma que restringe o acesso ao Fundo Eleitoral e ao tempo de rádio e TV.

Para atingir as metas em 2026, as legendas precisavam atingir 2,5% dos votos válidos para a Câmara em âmbito nacional, espalhados por vários estados, ou emplacar ao menos 13 deputados federais distribuídos por nove unidades da federação.

O objetivo foi alcançado por meio do índice de votação global. Com dez deputados federais e três senadores eleitos — um salto considerável em relação aos três parlamentares de 2022 —, o partido garantiu fôlego financeiro e visibilidade na propaganda gratuita.

Com o cenário político redesenhado e foco total nas pautas conservadoras, o partido busca consolidar protagonismo no parlamento federal a partir de 2027.

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