A confiança no jornalismo globalmente tem enfrentado quedas expressivas nos últimos anos, impulsionada em parte pelo tempo que os canais de notícias dedicam a atacar outros veículos de comunicação, prática conhecida como desqualificação entre concorrentes.
Metodologia e uso de inteligência artificial Para mapear esse comportamento, pesquisadores do DeWitt Wallace Center for Media & Democracy, na Universidade Duke, examinaram 15 anos de transcrições de programas de TV a cabo nos Estados Unidos, cobrindo o período de 2011 a 2025 entre as emissoras CNN, Fox News e MSNBC.
O volume analisado alcançou 3.543 transcrições, totalizando aproximadamente 19 milhões de palavras e cerca de 62.000 páginas de texto. Para processar esse material, a equipe treinou o modelo GPT-5.5 da OpenAI com um manual de instruções detalhado, alcançando 99,5% de precisão na identificação de ataques à imprensa.
Diferenças expressivas entre as emissoras Os resultados demonstraram que a Fox News lidera com folga a frequência de críticas, registrando episódios de desqualificação a cada 14,5 minutos. Em contraste, a MSNBC apresenta esse tipo de menção a cada 61 minutos, enquanto a CNN pontua a cada 140 minutos.
Dan Pfeiffer, da CNN, descrevendo o “jornalismo político em sentido amplo” como “ruim”, “problemático” e que “fracassa enormemente”;
Rachel Maddow, da MSNBC, descrevendo a página de editoriais do The Washington Post como “raivosa”, “espumando pela boca” e “superdireitista”, e afirmando: “Não consigo acreditar que isso esteja neste jornal de verdade”;
Mark Levin, da Fox News, dizendo aos telespectadores que “a MSNBC e a CNN[…] mentem, mentem e mentem para vocês há anos”.
Alvos e perfis dos apresentadores Enquanto CNN e MSNBC concentram seus ataques em veículos específicos rivais — mirando frequentemente a própria Fox News —, a Fox News direciona o grosso de suas críticas à instituição da imprensa em geral, seguida pela CNN e pela grande imprensa.
Entre os apresentadores que mais desqualificam colegas, o ranking é encabeçado por nomes da Fox News, com Sean Hannity na liderança, seguido por Greg Gutfeld e Tucker Carlson.
Conclusão e o conceito de mídia antimídia Os autores apontam que a dinâmica observada vai além do jornalismo partidário tradicional, aproximando-se do conceito de “mídia antimídia”, cujo propósito é “transformar a fachada do jornalismo em uma arma contra os papéis atribuídos ao jornalismo” dentro do sistema democrático.






