A reta final das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos é marcada por táticas eleitorais que giram em torno da baixa popularidade de Donald Trump.
A ofensiva democrata no Texas
As projeções de uma onda de vitórias da oposição passam pelo Texas, o maior estado republicano do país. A terra dos rodeios e do tradicional churrasco pode eleger o primeiro senador democrata desde 1988.
Nas pesquisas, James Talarico, de 37 anos, aparece à frente. Ele é um ex-professor de ensino médio e ex-seminarista presbiteriano. Em vez de concentrar críticas nos imigrantes ilegais, Talarico mira no topo da pirâmide, no 1% mais rico do país, e diz que os 99% da base foram abandonados pela elite. Conquistou jovens, latinos e até republicanos insatisfeitos com o governo de Trump.
Dylan é agente imobiliário em Austin, capital do Texas. Ele conta que votou em Trump em 2024, mas hoje se arrepende. Se fosse um país, o Texas seria a nona maior economia do mundo. Tem agricultura, pecuária, polo tecnológico e petróleo, e o segundo maior número de eleitores nos Estados Unidos. Há décadas, é uma fortaleza do Partido Republicano. A percepção é que, se a onda democrata acontecer lá, ela pode acontecer em qualquer lugar. A estratégia da oposição no Texas e em outros estados é apostar na baixa popularidade de Trump para convencer os eleitores a votar diferente.
A estratégia de distanciamento dos republicanos
Em contrapartida, a tática adotada por correligionários do presidente em algumas regiões é justamente se afastar de Trump e dos baixos índices de aprovação da Casa Branca. O Maine exemplifica esse esforço. Lá, boa parte da economia vem do mar, vem da pesca. A guerra no Irã e as tarifas têm afetado este mercado. Neste cenário, uma senadora que está há três décadas em Washington – e é do partido de Donald Trump – tenta se afastar dos republicanos para se reeleger. Susan Collins tem insistido que suas posições independentes fazem dela uma representante mais equilibrada entre os republicanos. Mas, segundo um levantamento, Collins apoiou 95% das medidas de Trump em 2025.
Outros republicanos também tentam se descolar de Trump. Em Iowa, a candidata ao Senado Ashley Hinson mudou de posição e passou a criticar a guerra no Irã. Na Flórida, a deputada María Elvira Salazar disse que a política de imigração de Trump foi longe demais e mandou um recado: “Os mesmos hispânicos que te ajudaram a chegar à Casa Branca se sentem traídos hoje”.
Batalha judicial e desfecho na Suprema Corte
Apesar das resistências, Trump mantém sua postura e tenta influenciar o pleito de outras maneiras, além dos comícios habituais. O governo entrou na segunda-feira (2) com um pedido de liminar na Suprema Corte para anular 20 mil votos na Califórnia, um estado tradicionalmente democrata, levantando suspeitas de que novas contestações possam surgir em caso de desvantagem nas urnas.
Contudo, na noite de segunda-feira (2), a Suprema Corte americana rejeitou o pedido do governo Trump para anular os 20 mil votos na Califórnia, encerrando temporariamente a tentativa de invalidação no estado opositor.






