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Julgamento expõe contradições de empresário condenado por morte em SP

Julgamento expõe contradições de condenado por matar motorista de aplicativo em acidente com Porsche

Imagens inéditas de mais de dez horas de depoimentos revelam as contradições do empresário Fernando Sastre, condenado a 17 anos de prisão pela morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos, em um acidente com um Porsche em São Paulo. Os registros do julgamento mostram versões divergentes sobre a tentativa de prestar socorro e a saída do réu da cena da colisão, ocorrida em 30 de março de 2024.

A confissão e a rota do Porsche na madrugada

Diante dos jurados, o empresário admitiu pela primeira vez que havia consumido álcool antes da batida. “Eu quero aproveitar aqui em plenário para fazer uma confissão: no dia dos fatos, eu ingeri bebida alcoólica”, afirmou. A noite começou em casa com a namorada antes do grupo seguir para um restaurante e, posteriormente, para uma casa de pôquer com sistema all inclusive. Amigos relataram que tentaram impedir que ele dirigisse na saída do local. O veículo trafegava a 136 km/h no momento do impacto fatal contra o trabalhador que voltava para casa.

O socorro e a confusão após a batida

Enquanto testemunhas tentavam ajudar a vítima presa às ferragens, o comportamento do condutor do veículo de luxo gerou revolta. Uma pessoa que se aproximou para verificar seu estado de saúde relatou uma resposta hostil. “Ele me manda eu sair e calar a boca”, contou. O réu negou a acusação perante o tribunal. “Eu jamais faria isso”, disse. Logo depois, a mãe do motorista chegou ao local e negociou sua liberação com a polícia sob a alegação de que o levaria ao hospital para exames, mas ambos retornaram para a residência da família. “Minha mãe me medica. E, com esse medicamento, eu simplesmente apaguei no sofá onde eu estava”, justificou o réu.

Acusação aponta falhas na defesa e apela por pena maior

Para o promotor Rodolfo Morais, a estratégia jurídica adotada apresentou inúmeras inconsistências técnicas e factuais. “O perito contratado pela família afirma que o veículo teria alguns defeitos, os quais, diversamente do afirmado pela Porsche, não eram verdade”, pontuou. A acusação também refutou a tentativa de minimizar a embriaguez ao destacar que “aquele vídeo espanta quaisquer dúvidas acerca da embriaguez dele”.

Condenação e próximos passos da justiça

Após o veredito que fixou a pena em 17 anos, 1 mês e 10 dias de prisão por homicídio qualificado com dolo eventual — quando se assume o risco de matar —, o Ministério Público informou que vai recorrer para tentar aumentar a punição. A defesa declarou que recebeu a decisão com serenidade, mas que discorda do resultado e também entrará com recursos. Os filhos da vítima lamentaram a perda irreparável, mas destacaram o legado deixado pelo pai. “O meu pai gostaria que a gente agisse assim, inclusive ele nos ensinava a ser fortes”, afirmou Luan.

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