O renomado rapper Emicida deixou um recado direto para os novos artistas da cena do rap de improviso durante passagem por Campinas (SP). O músico recomendou que a inteligência artificial seja deixada de lado para dar espaço à vivência real nas calçadas e comunidades.
Conselhos para a nova geração do rap
O artista se apresenta neste sábado (31), às 22h, no Multi Arena, localizado no bairro Sousas. Antes do evento, o cantor participou de uma sessão de autógrafos em Barão Geraldo e enfatizou que o hip-hop depende da troca humana direta.
“Abandone o ChatGPT e vai treinar seu freestyle na rua, vai viver a batalha na calçada. Antes de qualquer coisa, isso aqui é uma comunidade, ela é feita de pessoas, você precisa viver isso com pessoas”, declarou o rapper.
Ele também pontuou que a prática do improviso vai muito além de uma disputa individual. “Performance é legal, rima é legal, ideia é legal, é bacana você trabalhar seus pensamentos, ler, mas essa não é uma experiência individual. Freestyle não é um esporte individual, é uma experiência coletiva. O hip-hop é uma cultura porque é coletivo”, completou.
Como forma de apoiar os talentos locais, o show contará com a participação de MCs da Batalha do Cálice. O músico destacou que busca ser a referência que não encontrou no início de sua trajetória.
“Vamos pensar que se não tivesse a cena do freestyle, não existiria o Emicida. Não é uma coisa de ser um artista famoso e se aproximar dos artistas que estão chegando agora. Não tem a ver com isso. Eu sou parte da mesma comunidade que eles”, afirmou.
“Quando eu cheguei aqui, infelizmente, eu não tive pessoas que tivessem um pouco mais de experiência e que me ajudassem mais nos caminhos para que eu não batesse tanta cabeça. Me manter perto dessa comunidade talvez seja uma tentativa minha de tentar ser essa pessoa”, relatou.
Conexão com a física e Albert Einstein
A turnê atual do artista é baseada no álbum Emicida Racional VL 2 – Mesmas Cores & Mesmos Valores. O projeto tem forte influência dos Racionais MC’s e utiliza conceitos da Teoria da Relatividade de Albert Einstein como pano de fundo conceitual.
A sigla MCMV faz referência ao ano de 1905, quando o físico publicou sua tese, percepção notada pelo produtor musical Damien Seth e que encontrou eco na obsessão do cantor por temas densos e antagônicos, como a dicotomia entre solidão e companhia.
“A energia da música. A energia do som. Virando massa. Virando matéria. Porque a densidade do que a gente estava colocando dentro da gravação parecia sólida. Parecia que a gente podia pegar”, disse o cantor.
“Albert Einstein sugeriu que fosse o nome da Teoria da Relatividade, era a Teoria das Invariantes. E invariante é uma palavra que significa aquilo que não varia, aquilo que permanece. E o que permanece é nós, com as mesmas cores e os mesmos valores”, explicou.
Participações especiais e emoção dos fãs
Além da Batalha do Cálice, o evento em Campinas contará com as presenças confirmadas de Jotapê, Rashid e da dupla de samba Prettos.
“Me considero uma pessoa muito abençoada. Trabalho fazendo o que eu amo. Posso dizer coisas nas quais acredito e colocar comida na mesa da minha família fazendo isso. Então, isso é literalmente o sonho de um menininho de 15 anos que escrevia rima na última folha do caderno na escola”, emocionou-se.
A passagem do artista pela cidade movimentou dezenas de admiradores na quinta-feira. Fãs como Luana Stefani de Jesus Garcia, de 20 anos, levaram artes em homenagem ao ídolo. “Ele representa a trilha sonora da minha vida. Eu levantava e escutava todo dia pra ir pra escola, por exemplo. Cada momento da minha vida é uma música do Emicida”, afirmou.
Mariana e Lucas Achini destacaram a importância da poesia do artista na compreensão de sentimentos, enquanto Leonardo Zanellato eternizou a admiração com uma tatuagem inspirada na fase independente do cantor. O evento no Multi Arena promete consolidar essa troca intensa entre o palco e o público.






