Além da escolha dos novos membros do Congresso, o pleito de meio de mandato nos Estados Unidos trará consultas diretas à população sobre temas polêmicos como aborto, controle de armas e direitos das pessoas trans. No total, 145 iniciativas estaduais, conhecidas como ballot measures, serão avaliadas pelos eleitores na próxima terça-feira (3) em 39 estados.
O impacto das consultas populares
Esses referendos têm o poder de criar legislações inéditas, alterar diretrizes vigentes ou anular normativas anteriores. Os estados da Califórnia e do Colorado lideram o volume de consultas, contabilizando 14 propostas cada um.
Debates sobre o direito ao aborto
Quatro estados colocarão em pauta o futuro do acesso à interrupção da gravidez. Enquanto Nevada, Virgínia e Idaho discutem medidas para garantir ou ampliar a proteção jurídica ao procedimento, o Missouri caminha na direção oposta. No Missouri, a iniciativa pretende anular uma salvaguarda aprovada em 2024, impondo barreiras mais rígidas ao aborto e vedando certos atendimentos de transição de gênero para menores de idade.
Esportes e identidade de gênero
As pautas sobre identidade de gênero concentram-se principalmente em restrições no esporte escolar e no acesso a terapias. Arizona, Washington, Colorado e Nebraska examinam regras para barrar atletas trans em categorias femininas. No Arizona, a discussão também engloba a obrigatoriedade do uso de banheiros escolares conforme o sexo biológico da certidão de nascimento.
Legislação penal e armamento
O endurecimento de penas e as regras para armamentos também mobilizam o eleitorado. Cinco estados — Alabama, Indiana, Louisiana, Colorado e Tennessee — votam alterações em fianças e sanções penais. Em Massachusetts, a disputa gira em torno da manutenção de uma lei de 2024 que endureceu o registro e proibiu armamentos sem numeração.
Regras eleitorais e tributação de fortunas
Seis estados decidem se restringem o voto local exclusivamente a cidadãos norte-americanos, enquanto outros seis revisam exigências de identificação para votar. No campo econômico, a Califórnia analisa um tributo extra de 5% sobre grandes fortunas de bilionários, medida criticada pelo governador Gavin Newsom pelo risco de fuga de capitais.
As votações refletem a divisão profunda da sociedade norte-americana em pautas cruciais para o futuro político e social do país, com impactos diretos na vida cotidiana dos cidadãos em dezenas de estados.






