A Justiça recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul contra sete policiais militares que se tornaram réus por homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificada após a morte do agricultor Marcos Daniel Nörnberg, em Pelotas. A acusação detalha a participação atribuída a cada um dos envolvidos na ação realizada em janeiro deste ano na zona rural do município.
Investigação aponta falhas na inteligência
O caso ocorreu na madrugada de 15 de janeiro, na localidade da Cascata, quando os agentes buscavam suspeitos de um roubo com base em informações repassadas por detentos no Paraná. Conforme a apuração, a propriedade da família Nörnberg foi atacada por engano. Os soldados Alexandro Bersch Schröder, Guilherme Esteves Sedrez e Rafael Martins Dias, do setor de inteligência, identificaram o local por características como uma casa grande, porteira eletrônica e cães.
A promotoria sustenta que os policiais realizaram reconhecimentos considerados “falhos, inconsistentes e incipientes” antes da investida. O órgão aponta que “eles não verificaram a identidade dos moradores, não consultaram registros da propriedade e não fizeram checagens em bancos de dados antes de apontar o endereço como alvo da diligência”.
Entrada sem autorização e disparos de fuzil
O grupo de executores foi formado pelo sargento Eduardo Barboza Roll, pelo sargento Felipe Pereira Lempek e pelos soldados Marcelo Silva da Silva e Michael Macedo de Moraes. De acordo com a acusação, eles ingressaram na área por volta das 3h sem “fundadas razões” e sem mandado judicial, abrindo fogo com fuzis calibre 5,56 mm contra a residência ao avistarem uma pessoa no interior.
Marcos Daniel Nörnberg foi atingido por oito tiros e não resistiu aos ferimentos. A esposa dele, Raquel Amorim Motta Nörnberg, escapou porque estava deitada no chão e devido a um “erro de pontaria” dos atiradores.
Pedidos da promotoria e posição das defesas
Além de responderem por homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificada com uso de arma restrita e recurso que dificultou a defesa, o Ministério Público exige que os sete réus sejam levados a julgamento pelo Tribunal do Júri, percam suas funções públicas e indenizem a família da vítima.
A defesa dos policiais Felipe Pereira Lempek, Michael Macedo de Moraes e Eduardo Barboza Roll declarou que não vai se manifestar neste momento porque ainda não teve acesso à íntegra do processo. Por sua vez, o advogado Jairo Luis Cutinski, representante de Alexandro Bersch Schröder, Guilherme Esteves Sedrez e Rafael Martins Dias, afirmou que “a defesa não desconhece a gravidade dos fatos, contudo, acredita que a participação de cada um dos policiais militares envolvidos deve ser verificada com resguardo, para que a situação seja devidamente apurada”. O espaço segue aberto para o posicionamento da defesa de Marcelo Silva da Silva.






