O ex-presidente Jair Bolsonaro manifestou forte inconformismo com os ataques direcionados ao governador paulista Tarcísio de Freitas e ao prefeito da capital Ricardo Nunes. Os dois aliados passaram a ser alvos de críticas por parte de alas do PL na esteira da derrota de Flávio Bolsonaro na disputa pela presidência da República.
Avaliação positiva e laços de lealdade
Apesar do revés eleitoral, o entendimento no entorno do ex-mandatário é de que o esforço empreendido por Tarcísio e Nunes foi satisfatório. Em diálogos recentes com a ex-primeira-dama e senadora eleita Michelle Bolsonaro, o ex-chefe do Executivo federal classificou ambos como “leal” à família.
O peso eleitoral de Tarcísio Essa percepção favorável se sustenta na expressiva vitória conquistada pelo governador no maior colégio eleitoral do país. Tarcísio garantiu a reeleição logo no primeiro turno com quase 14,5 milhões de votos — o equivalente a 62,65% dos votos válidos —, superando Fernando Haddad, que obteve cerca de 8,5 milhões (36,42%). Durante o segundo turno da corrida presidencial, o chefe do Executivo paulista esteve ativamente envolvido na mobilização de apoios, participando de eventos com governadores aliados e articulações partidárias em prol de Flávio.
O papel estratégico de Ricardo Nunes O prefeito da capital paulista também desfruta de forte prestígio junto ao ex-presidente. Reeleito em 2024 contando com o apoio direto de Bolsonaro e Tarcísio, Nunes exerceu um papel fundamental na aproximação do senador com lideranças municipais. Na primeira etapa, organizou um evento matinal com prefeitos e vereadores da região metropolitana. Na fase seguinte, teve atuação decisiva para costurar o apoio do MDB — que inicialmente adotara neutralidade — à chapa do PL, liderando uma reunião com dirigentes emedebistas de 17 estados em um imóvel nos Jardins.
A manifestação pública de Michelle Bolsonaro
O descontentamento da cúpula com o fogo amigo motivou uma postagem de Michelle Bolsonaro nas redes sociais na manhã de uma sexta-feira. Na ocasião, a ex-primeira-dama saiu em defesa de nomes como Tarcísio, o deputado federal Nikolas Ferreira, a senadora Damares Alves e o pastor Silas Malafaia, rechaçando qualquer tentativa de eleger bodes expiatórios para o revés nas urnas.
Michelle relatou que debateu o tema com o marido e transmitiu a gratidão dele aos correligionários. “Eu e o Jair [meu galego e nosso líder] temos conversado sobre isso”, disse Michelle. “Ele sempre diz que é muito grato pelo empenho e sacrifício que — dentro das possibilidades — cada um fez em prol da campanha do Flávio. Ele lembra de cada um e reconhece com muita gratidão a mobilização de todos.”
A ex-senadora eleita ainda lamentou a propagação de boatos que tentavam rachar o grupo. “Ele se entristece quando vê notícias falsas, atribuindo a ele manifestações mentirosas, que pregam a divisão, apontam injustamente supostos ‘culpados’ e afirmam exatamente o contrário do que ele verdadeiramente sente por pessoas como Damares, Tarcísio, Nikolas, Silas Malafaia e outros que estão sendo atacados”, escreveu. “O meu marido ressalta que é momento de união e não de procurar culpados.”
Por fim, o posicionamento oficial do núcleo político reforça a necessidade de consolidar a coesão da direita e superar as divergências internas surgidas após o término do pleito.






