A Agência Nacional de Energia Elétrica confirmou nesta sexta-feira (30) a continuidade da bandeira verde para o mês de novembro, garantindo que não haverá nenhuma cobrança adicional pelo consumo nas faturas dos brasileiros.
Impacto positivo das chuvas
O cenário atual reflete as condições favoráveis de geração proporcionadas pelo aumento do volume de precipitações nas regiões Sul e Sudeste a partir de outubro. Essa transição entre os períodos seco e úmido ajudou a estabilizar o nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas brasileiras, alinhando-se às projeções anteriores da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica.
O quadro difere do mesmo período de 2025, quando o atraso nas chuvas exigiu a adoção da bandeira vermelha patamar 1. Além do risco hidrológico, o Preço de Liquidação de Diferenças exerce forte influência sobre os custos do setor.
Alan Henn, CEO da Voltera, pontua: “A manutenção da bandeira verde indica condições favoráveis de geração de energia e evita a cobrança de um valor adicional na conta de luz. No entanto, é importante lembrar que isso não significa, necessariamente, uma redução na fatura, já que o valor final também depende das tarifas de cada distribuidora e do consumo de energia”.
Desafios climáticos e o fenômeno El Niño
Apesar do alívio tarifário imediato, a atuação do El Niño exige monitoramento constante por parte das autoridades competentes. O fenômeno climático tem potencial para alterar o regime de chuvas e elevar as temperaturas, gerando menor disponibilidade de geração na região Norte e maior pressão sobre a carga do Sistema Interligado Nacional.
Para mitigar riscos, o Ministério de Minas e Energia autorizou em julho a antecipação do suprimento de contratos de leilões de reserva de capacidade. Paralelamente, recursos da Conta de Consumo de Combustíveis foram liberados antecipadamente para sistemas isolados do Norte, antecipando eventuais dificuldades de navegação fluvial decorrentes do super El Niño.
Fred Menezes, diretor de Comercialização da Armor Energia, avalia que o risco associado ao fenômeno diminui gradualmente, concentrando-se na primavera. “O período úmido no início de 2027 será essencial para garantir preços mais baixos ao longo do ano”, afirma.
Outro ponto de atenção é a nova metodologia de carga da ANDE, estatal paraguaia de energia, prevista para janeiro. O provável aumento no consumo do Paraguai na hidrelétrica de Itaipu pode diminuir a oferta para o mercado brasileiro.
Diante desse panorama, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais reforça que as condições do sistema elétrico “ainda exigem cautela e acompanhamento, especialmente diante da recuperação insuficiente dos reservatórios e das previsões climáticas para as próximas semanas”, indicando que os cuidados com os custos da energia continuam necessários.






