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Tragédia na Espanha: colisão entre trens de alta velocidade deixa 68 mortos

Tragédia na Espanha: o que se sabe sobre colisão de trens que deixou 68 mortos e chocou o país

A colisão entre dois trens de alta velocidade na Espanha na última quarta-feira (28) provocou a reação de líderes mundiais e gerou comoção ao redor do mundo. O premiê do país, Pedro Sánchez, prometeu esclarecer as causas do acidente que deixou 68 mortos e 80 feridos.

Investigação preliminar e falha no sistema

O ministro dos Transportes, Óscar Puente, afirmou que uma falha no sistema de controle ferroviário levou à interrupção da circulação e que, posteriormente, um dos trens recebeu autorização para voltar a se movimentar, apesar de outro veículo continuar parado nos trilhos.

“Não é aceitável que a Espanha sofra dois acidentes graves com trens de alta velocidade em menos de um ano”, afirmou Sánchez. O governo investiga se houve negligência ou falhas nos procedimentos de segurança.

Balanço de vítimas e dinâmica do impacto

Ao menos 68 pessoas morreram e 80 ficaram feridas, segundo Ester Padilla, porta-voz do governo regional de Castela-Mancha. As equipes de emergência foram mobilizadas para atender às vítimas e retirar passageiros dos vagões atingidos.

O acidente ocorreu por volta às 8h54 no horário local (3h54 no horário de Brasília), nas proximidades de Urda, a cerca de 140 km ao sul de Madri. O trem da empresa estatal Renfe transportava entre 393 e 397 passageiros, segundo informações divulgadas pelas autoridades. Já o trem da Iryo levava 147 pessoas, incluindo um bebê.

Os dois trens faziam a rota entre Madri e Sevilha. O da Renfe havia partido da capital espanhola com destino a Sevilha. O veículo da Iryo também seguia nessa rota, mas estava parado nos trilhos quando foi atingido na traseira. O impacto provocou o descarrilhamento de vagões, alguns dos quais caíram em um barranco ao lado da ferrovia. Passageiros relataram um forte estrondo e um incêndio em um dos vagões.

Causas e apuração de responsabilidades

A causa definitiva ainda não foi esclarecida. Segundo o ministro dos Transportes, o sistema automatizado de gestão de tráfego ferroviário, chamado LZB, parou de funcionar após uma falha de comunicação entre computadores.

Com o sistema fora de operação, o centro de controle ferroviário de Madri assumiu o comando do trecho afetado, de aproximadamente 69 km. Por volta das 8h36 no horário local, o trem da Renfe recebeu autorização para retomar a viagem.

Segundo Puente, a decisão é inexplicável à medida que o trecho continuava ocupado pelo trem da Iryo, que estava parado nos trilhos. Também havia um sinal vermelho impedindo a passagem.

Ainda não há uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade pelo acidente. Puente afirmou que os protocolos de segurança não permitiam que o trem da Renfe retomasse a circulação normalmente nas condições encontradas. Caso fosse autorizado a seguir, o veículo deveria avançar em velocidade inferior a 40 km/h, procedimento que permitiria ao maquinista parar diante de qualquer obstáculo.

O Sindicato Ferroviário espanhol classificou como prematuro e irresponsável atribuir a colisão a um erro humano antes do encerramento das investigações.

O Ministério dos Transportes espanhol e as autoridades responsáveis pela infraestrutura ferroviária estão apurando as circunstâncias da colisão. A ADIF, empresa responsável pela infraestrutura ferroviária da Espanha, administra os sistemas de controle do tráfego na região. O ministro Puente apresentou informações preliminares sobre a falha no sistema e a autorização para a retomada da circulação.

Precedentes e impacto político

A velocidade exata do trem no momento do impacto não foi informada. Segundo o ministro dos Transportes, os trens podem atingir 200 km/h nesse trecho em condições normais de operação.

Em 18 de janeiro deste ano, outro acidente grave ocorreu na mesma linha de alta velocidade, deixando 46 mortos e cerca de 300 feridos.

A nova colisão reacendeu o debate sobre a segurança da infraestrutura ferroviária espanhola. O líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, cobrou explicações sobre as condições dos trilhos, os sistemas de segurança e as medidas adotadas após o acidente anterior.

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