A recuperação de ecossistemas degradados está em andamento em aproximadamente 252 milhões de hectares ao redor do mundo, o que representa apenas um quarto da área total que os governos se comprometeram a restaurar até o final desta década.
O tamanho do compromisso global
O alerta foi emitido pela Organização das Nações Unidas durante a realização da 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP17), sediada em Yerevan, na Armênia. O estudo representa o primeiro levantamento global sobre o progresso dos países na recuperação ambiental.
Conforme o relatório produzido por três órgãos da ONU, as nações assumiram o compromisso coletivo de recuperar cerca de 1 bilhão de hectares de ecossistemas degradados, extensão territorial que supera a superfície total do Brasil. No entanto, somente 25% desse total possui iniciativas documentadas.
Metas para 2030 e o desafio da velocidade
O documento analisa o cumprimento das diretrizes fixadas em 2022 pelo Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, que estabelece que pelo menos 30% dos ecossistemas degradados do planeta estejam sob processos efetivos de restauração até 2030. Para atingir essa marca, os cálculos indicam que as intervenções precisam ser triplicadas nos próximos anos.
“Estamos testemunhando o surgimento de um dos maiores movimentos em defesa da natureza de que se tem registro”, afirmou Inger Andersen, diretora-executiva do Pnuma.
“No entanto, na metade da Década das Nações Unidas sobre Restauração de Ecossistemas, ainda não estamos recuperando a natureza na escala nem na velocidade necessárias”, acrescentou.
Panorama por regiões e ecossistemas
O monitoramento engloba registros colhidos entre 1966 e 2026. A instituição reforça que uma região figurar como alvo de restauração não implica conclusão imediata dos trabalhos, exigindo acompanhamento plurianual dos impactos na biodiversidade.
O cenário é dominado por ambientes terrestres, que somam 232 milhões de hectares em recuperação, ou seja, 92% de toda a área documentada. A liderança numérica pertence à Ásia, com 192,2 milhões de hectares, destacando-se a China com 127,4 milhões de hectares sob cuidados ambientais.
Na América do Sul, a extensão chega a 5,4 milhões de hectares. O Brasil é apontado positivamente pelo uso de imagens de satélite e plataformas de monitoramento para mapear 3,4 milhões de hectares em processo de recuperação.
O gargalo dos recursos hídricos e financeiros
A situação é mais crítica nos ambientes aquáticos. Apenas 11 milhões de hectares de rios, lagos e áreas úmidas passam por recuperação em 62 países, atingindo somente 4,5% da meta fixada para 2030. Já nos ecossistemas marinhos e costeiros, o volume chega a 5,7 milhões de hectares em 46 nações, o equivalente a 23% da meta estipulada.
Outro obstáculo severo é o financiamento. O aporte global para a recuperação ambiental alcançou US$ 64 bilhões em 2022, valor distante dos US$ 296 bilhões anuais estimados pela ONU como necessários para cumprir os acordos até 2030.
A entidade pontua que reverter a degradação e conter o desmatamento podem gerar até 32 milhões de postos de trabalho até 2030, além de otimizar a segurança hídrica e mitigar os impactos das mudanças climáticas.






