O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, revelou que recomendou ao senador Flávio Bolsonaro que permanecesse no país após o revés na disputa presidencial de 2026. Apesar da orientação para ficar, o chefe do Executivo paulista afirmou compreender a decisão do aliado de deixar o território nacional.
Bastidores do conselho político Segundo o governador, a estratégia jurídica defendida pelo grupo político e jurídico envolvia o uso dos recursos legais previstos na legislação eleitoral.
“O conselho que nós demos a ele –os advogados, eu, o [Rogério] Marinho, as pessoas que estavam ali reunidas– foi que ficasse [no Brasil]”, afirmou o governador de São Paulo.
O republicano também mencionou que a coligação adversária cometeu abusos durante a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas reforçou que a resposta deveria ocorrer por meio da Justiça Eleitoral.
“Você tem uma forma de recorrer à Justiça contra isso, que são as ações de investigação da Justiça Eleitoral. Isso está previsto na legislação, isso acontece rotineiramente. Então, esses foram os conselhos: usa esse remédio jurídico e não fala que vai sair”, disse.
Contexto da viagem e acusações de intimidação Flávio Bolsonaro deixou o Brasil acompanhado da esposa e das duas filhas logo após o pleito, temendo medidas do Supremo Tribunal Federal. A Polícia Federal solicitou a apreensão do passaporte do senador poucos minutos após a confirmação da vitória de Lula, que obteve 64.256.232 votos (51,79%) contra 59.826.041 votos (48,21%) do candidato derrotado.
Tarcísio classificou a ação das autoridades como uma forma de pressão e questionou a motivação das medidas restritivas adotadas logo após a proclamação do resultado.
“Uma pessoa que acabou de conquistar 60 milhões de votos, minutos depois da proclamação do resultado, já está sendo ali admoestado pela Polícia Federal, mas com que base? Essa é a pergunta. Eu nunca vou ter a capacidade de julgar porque a gente tem que sempre se colocar no lugar dos outros”, declarou Tarcísio em entrevista aos jornalistas Bianca Gomes, Marcelo Godoy, Ricardo Corrêa e Pedro Augusto Figueiredo, do jornal O Estado de São Paulo, publicada na 4ª feira (28.out.2026).
O governador reiterou que não tinha ciência prévia do plano de viagem e enfatizou o desgaste emocional enfrentado pelo senador, cujo pai estava preso.
“Mas é o que eu falo: eu não julgo a decisão que foi tomada porque é muito duro passar… ele está com o pai preso aí há quanto tempo?”, declarou.
Por fim, o político paulista cuestionou a falta de materialidade nas acusações iniciais que motivaram os pedidos contra o aliado logo após o término da apuração das urnas.
“Veja, foram lá pedir o passaporte dele. Ora, o que tem de concreto hoje contra ele? Pode ser que amanhã apareça um monte de coisa, mas a gente não sabe. Hoje não tem nada. E se não tem nada, por que pediram o passaporte? Qual o objetivo disso? Houve ali uma intimidação”, concluiu.






