As autoridades policiais estão em busca de um adolescente suspeito de participação em um caso de estupro coletivo registrado no município de Bela Vista de Goiás. Uma jovem de 21 anos procurou a delegacia para denunciar que foi violentada por quatro pessoas, incluindo um menor de idade e três homens adultos.
Dinâmica do crime e prisões
Conforme as investigações conduzidas pela delegada Magda D´Ávila, os envolvidos “fizeram fila para estuprá-la. Até agora a gente tem notícias de quatro, mas estamos apurando para verificar se há mais autores. […] Identificamos um que ficou na porta cuidando de quem entrava e quem saía: ‘Agora é você, agora é você'”.
Três suspeitos, com idades de 21, 25 e 30 anos, acabaram presos em flagrante. Até a última atualização das investigações nesta quarta-feira (29), o adolescente ainda não havia sido localizado ou qualificado formalmente pela polícia. Como a identidade dos detidos não foi divulgada, a reportagem não conseguiu contato com a defesa deles.
Contexto da denúncia
O registro da ocorrência aconteceu na última terça-feira (27), por volta das 8h. A investigação aponta que a vítima aceitou um convite para ir até a residência dos suspeitos e chegou ao local sob efeito de álcool. Depois de consumir mais bebidas oferecidas no imóvel, ela relatou ter sofrido um quadro de amnésia e acordou com diversas marcas pelo corpo.
“A vítima era conhecida do dono da kitnet, e ela foi nesse lote a convite de um dos autores, e chegou embriagada no local. Depois de beber o que eles ofereceram, ela disse que não se recorda de mais nada. Fizeram uma fila para estuprá-la”, detalhou a delegada.
Linha de investigação
Embora os suspeitos tenham alegado que o ato foi consensual, a polícia descarta essa hipótese devido ao estado de embriaguez da vítima. A autoridade policial ressalta que “a partir do momento em que ela compartilhou bebida com eles, ela já não se recorda, teve amnésia. Então, a gente investiga até o fato de que eles podem ter colocado alguma coisa na bebida dela. O fato de ela não ter capacidade de se expressar e de consentir com o ato, é estupro de vulnerável”. Até o momento, três testemunhas já prestaram depoimento.
Superação da vergonha
A investigadora revelou que a jovem hesitou em procurar ajuda policial devido ao sentimento de constrangimento. A denúncia só foi formalizada após um trabalho de convencimento por mensagens de aplicativo.
“Ela mandou uma mensagem no WhatsApp, dizendo que ela estava com muita vergonha. Eu tive que conversar com ela e convencê-la de vir. […] Ela ficava o tempo todo falando que estava com nojo dela mesma, do que as pessoas iam falar”, relatou a policial, pontuando que essa reação reflete estruturas machistas presentes na sociedade.
O inquérito segue em andamento para esclarecer todas as circunstâncias do crime e verificar a possível participação de novos envolvidos.






