O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro declarou na última sexta-feira (23), durante participação em um podcast nos Estados Unidos, que defendia a saída do irmão, o senador e candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), do território nacional caso o pleito fosse perdido. “Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza”, afirmou Eduardo Bolsonaro, residente nos Estados Unidos desde o ano passado e condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentar interferir no julgamento do pai, Jair Bolsonaro, que cumpre pena por tentativa de golpe de Estado.
Investigações e rota de fuga Fontes anônimas relataram à agência de notícias Reuters nesta segunda-feira (27) que Flávio Bolsonaro está a caminho dos Estados Unidos. A Polícia Federal apura a suspeita de que o parlamentar tenha deixado o Brasil cruzando a fronteira terrestre com a Argentina. No entanto, o serviço de imigração do país vizinho informou que não há registro oficial de sua passagem por nenhum ponto de entrada em solo argentino.
Segundo informações publicadas nesta terça-feira pelo site argentino Infobae, o político teria escapado utilizando seu documento de identidade por Puerto Iguazú. A apuração jornalística indica que o objetivo seria embarcar em uma aeronave na Argentina com rota norte-americana. Dados da plataforma de monitoramento aéreo FlightRadar24 mostram que um avião voou de Buenos Aires para Puerto Iguazú, pousando às 23h45 no horário de Brasília, mas permaneceu no local sem decolar novamente, segundo os registros oficiais. Até o momento, não há confirmação se o senador de fato integrou o voo ou se utilizou outra aeronave para chegar aos Estados Unidos.
Negativa pública e ordem do STF Um dia após a derrota na eleição, na segunda-feira (26), Flávio Bolsonaro publicou um vídeo em suas redes sociais negando qualquer plano de abandonar o país. “Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar, mas ninguém vai me calar”, afirmou.
A manifestação fazia referência à determinação emitida pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito no STF. A ordem exigia a entrega imediata dos passaportes do senador, que acabou descumprindo a determinação judicial. Aliados relatam não ter informações sobre o paradeiro atual do parlamentar.
Investigações em andamento no Supremo O inquérito sob relatoria de Alexandre de Moraes investiga o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, por suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo casas de apostas e plataformas de pagamento. O nome do senador foi incluído após a análise de dados extraídos do celular de Tomaz. Como Flávio detém foro privilegiado, o processo tramita na mais alta Corte do país, onde investigadores localizaram e-mails apontando o político como usuário master de uma conta pertencente a uma empresa do advogado.
Adicionalmente, o ex-candidato é alvo de apuração sobre possíveis desvios de pagamentos feitos pelo banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse” com destino aos Estados Unidos. A investigação analisa suspeitas de corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, avaliando inclusive a hipótese de que os recursos solicitados por Flávio a Vorcaro — preso sob acusações de fraudes bilionárias — tenham sido remetidos dos EUA para sustentar Eduardo Bolsonaro.






