O mercado financeiro reagiu fortemente à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), provocando não apenas a disparada do dólar e a queda na Bolsa de Valores, mas também um salto expressivo no risco-país, que atingiu nesta segunda-feira, 26, sua marca mais alta desde junho do ano passado.
O salto de 26% no indicador soberano No dia seguinte à vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), o principal contrato derivativo monitorado pelo mercado avançou 26%, saltando de 120,2 pontos registrados na sexta-feira, 23, para 151,7 pontos. Essa alta de mais de 30 pontos ocorreu em um intervalo de apenas três dias.
O que é e como funciona o risco soberano Também conhecido como risco soberano, o risco-país é um indicador econômico que mede a probabilidade de um país dar um calote em sua dívida externa. Ele funciona como um “termômetro” da confiança que os investidores estrangeiros têm na economia de uma nação. A principal referência atual é o Credit Default Swap (CDS) de 5 anos, um contrato que atua como um seguro contra calotes, onde taxas mais elevadas refletem maior temor do mercado.
Variáveis avaliadas pelo mercado internacional Para calcular esse termômetro financeiro, o indicador leva em consideração variáveis como estabilidade política, controle das contas públicas, segurança jurídica e ambiente institucional. O cenário anterior ao pleito apresentava patamares bem inferiores; ao final do primeiro turno, em 4 de outubro, o CDS havia recuado para 108 pontos, o menor nível em 6 anos.
Projeções e o resultado das urnas De acordo com avaliação dos analistas do Morgan Stanley, o risco-país do Brasil pode avançar cerca de 40 pontos nas próximas semanas. O dólar, por sua vez, pode bater R$ 6 caso as pressões fiscais se intensifiquem. No segundo turno das eleições presidenciais de 2026, Lula obteve 51,79% dos votos válidos (64,2 milhões) e terminou à frente de Flávio, que recebeu 48,21% (59,8 milhões).






