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Lula é reeleito para quarto mandato e define prioridades

Regulação das big techs, segurança, educação e Congresso: o que Lula falou no primeiro discurso após ser reeleito

Em seu primeiro discurso após garantir a vitória com 51,79% dos votos no domingo (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) agradeceu a mobilização que garantiu a virada sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O pronunciamento ocorreu em um hotel na capital paulista, logo após a validação do resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Diálogo com o parlamento e união nacional

Durante a fala, o petista abordou o crescimento da oposição no Congresso Nacional e assegurou que buscará consenso com os parlamentares. O presidente mencionou os obstáculos enfrentados na campanha, incluindo o que classificou como interferência de redes sociais, e destacou o apoio de idosos e jovens.

O presidente afirmou que, a partir de agora, não tem mais adversário. “Eu tenho que governar para 215 milhões. Eu tenho que governar todas as cidades”, disse.

Lula minimizou o cenário de adversidade e reforçou a disposição para trabalhar com a nova composição legislativa. “Na relação com o Congresso… Porque já tem gente falando que o Lula vai ter muita dificuldade para governar, porque o Congresso está muito conservador… Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu e é com ele que eu vou votar, vou trabalhar e vou aprovar as coisas”, afirmou Lula.

“Se depender de mim, esse país só tem que ser civilizado, esse país tem uma Constituição. Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos e ele foi eleito para governar com base no respeito à Constituição”, disse o presidente.

Regulação das plataformas digitais

O chefe do Executivo destacou a necessidade de impor regras mais rígidas ao ambiente virtual, citando episódios de desequilíbrio na visibilidade de campanhas e a atuação de grandes corporações tecnológicas.

“Não é possível que a gente não tenha consciência que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual o crime na vida real. Nós não podemos ter empresas monstruosas de grandes, ganhando milhões e bilhões, não pagando nenhum imposto pra esse país e tentando direcionar o resultado eleitoral desse país.”, disse o petista.

Segurança pública e educação

No setor de segurança, o presidente defendeu a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição para ampliar a atuação federal na área, argumentando que os estados enfrentam dificuldades isolados.

O petista voltou a defender a aprovação da PEC da Segurança e disse que, para o bandido, “vai dar prisão”.

“O governo federal nunca teve responsabilidade com a segurança pública porque a Constituição de 88 transferiu toda a responsabilidade para os Estados, mas está provado que os Estados não dão conta. Nós vamos entrar agora para devolver aos trabalhadores a tranquilidade de que precisam. Para o povo trabalhador, a gente vai dar proteção. Para o bandido, a gente vai dar prisão”, disse Lula.

Na área educacional, a meta anunciada inclui a universalização das escolas em período integral até o ensino médio, além do lançamento do programa Pé-de-Meia para universitários e o fomento a exatas.

“Iremos ensinar mais matemática, mais engenharia, porque eu não quero ficar dependendo de inteligência artificial chinesa ou americana, eu quero criar uma brasileira. Nós temos que aproveitar o potencial energético de um país que talvez seja o que tem a maior capacidade de energia renovável, pra trazer pra cá os data centers necessários para acumular também os nossos dados pro Brasil”, afirmou.

“Nós queremos fazer desse país um país que pare de ser um país em via de desenvolvimento e se transforme num país desenvolvido. Nós vamos exercitar o potencial criativo desse povo. Deixar de ser um país periférico. Nós queremos ser um país central nas decisões políticas, econômicas e na decisão pela paz”, disse Lula.

Comunicação digital, saúde e meio ambiente

O plano para os próximos quatro anos também contempla inovações na comunicação direta com a população, avanços na infraestrutura hospitalar inteligente e a continuidade da preservação ambiental.

“Eu já ganhei o celular do meu comandante Rafael, governador do Piauí, já estou aprendendo a conversar, e pode ter certeza de que daqui para frente eu vou conversar muito com o povo brasileiro, muitas vezes por dia, diretamente”, disse Lula.

“Estou convencido de que logo, logo o Brasil será o país do mundo com o maior percentual de tratamento de câncer. Temos a nossa querida companheira Ludhmila cuidando do nosso hospital inteligente, financiado pela companheira Dilma Rousseff, presidente dos BRICS, junto com a UFRGS, e vamos ter 15 UTIs inteligentes neste país para não permitir que as pessoas morram por falta de tratamento ou tempo”, disse o presidente.

“Nós vamos ensinar ao mundo como se trata a política climática neste país. Esse ano é a primeira vez que a gente consegue reduzir o desmatamento por quatro anos consecutivos”, afirmou.

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