O atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva protagonizou uma das reviravoltas mais impressionantes da história política recente ao reverter uma desvantagem de 2,2 milhões de sufrágios e superar Flávio Bolsonaro por uma margem de 4,4 milhões na votação definitiva. O chefe do Executivo obteve 10,4 milhões de bilhetes adicionais entre as etapas do pleito, crescendo de maneira homogênea nas 27 unidades da federação e desmentindo prognósticos que davam como improvável sua permanência no cargo.
O ceticismo dos analistas Antes da definição nas urnas, o cenário parecia adverso para a campanha governista, visto que o representante do PL havia liderado a primeira fase, o grosso dos derrotados declarou inclinação à direita e a abstenção costuma subir no segundo estágio.
Especialistas e cientistas políticos elaboraram simulações estatísticas que atestavam a extrema dificuldade do petista. Em levantamento divulgado no início de outubro por especialistas da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, a chance de êxito atribuída ao titular do Planalto era de apenas 19%, amparada em dados que mostravam o senador na liderança.
Modelos matemáticos falharam O histórico republicano jogava contra a reeleição, pois desde o ano de redemocratização de 1989 nenhum postulante que terminasse a etapa inicial na segunda colocação havia conseguido inverter o placar final. Pesquisas véspera do pleito, a exemplo do levantamento do BTG/Nexus, indicavam vantagem numérica de Flávio, projetando inclusive um aumento da abstenção que na prática não se concretizou, já que a ausência dos eleitores recuou para 19,2% e impulsionou o triunfo de Lula com 51,79% dos válidos.
Um estudo aprofundado conduzido por economistas do BTG Pactual simulou 27 cenários distintos envolvendo migração de apoios e flutuação no comparecimento, mas em nenhuma das hipóteses o atual presidente superava o adversário, demonstrando que a magnitude da virada surpreendeu a própria ciência de dados eleitorais.
A migração de apoios A barreira ideológica representava outro obstáculo severo, com Flávio reunindo 56,1 milhões de apoios iniciais contra 53,9 milhões do rival, enquanto o restante se dividia entre os demais concorrentes eliminados.
Figuras de proa do campo conservador e liberal, como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury, declararam sustentação ao senador no segundo turno, criando um ambiente político teoricamente desfavorável para a captação de novos apoios pela esquerda.
A dinâmica da soma de votos Para superar a desvantagem numérica, a campanha governista precisava não apenas atrair eleitores de centro e direita, mas também provocar alterações profundas na dinâmica de comparecimento às urnas e na redução de nulos e brancos.
Na contabilidade final, a guinada se traduziu em saltos expressivos: o petista saltou para 64,2 milhões de apoiadores (um acréscimo de 10,3 milhões), enquanto o adversário cresceu para 59,8 milhões (mais 3,7 milhões), consolidando a virada matemática que redefiniu o mapa político nacional.






