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Chefe da Audi sofre críticas após aparecer em comício de Trump

Presidente da Audi é acusado de violar regras da empresa ao aparecer com Trump em comício eleitoral

O presidente da Audi, Gernot Doellner, virou alvo de fortes críticas nesta segunda-feira (26) ao marcar presença ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um comício político realizado na Geórgia, estado considerado decisivo nas eleições de meio de mandato.

Críticas do sindicato e quebra de regras

A aparição do executivo ocorreu durante a revelação dos planos para erguer uma nova planta industrial no território norte-americano, estimada em US$ 4 bilhões (cerca de R$ 20,2 bilhões), marcando a estreia fabril da marca no país com uma projeção de 200 mil SUVs anuais.

Christiane Benner, presidente do IG Metall e vice-presidente do conselho de supervisão da Volkswagen — grupo que controla a Audi —, manifestou forte rejeição ao episódio e declarou que a presença de Doellner no comício foi “profundamente constrangedora”.

“A forma como Gernot Doellner se apresentou e apresentou a Audi nos EUA é profundamente constrangedora, politicamente inaceitável e indigna da empresa”, disse. Segundo Benner, a aparição violou as regras internas da Audi.

“Doellner também está violando flagrantemente as regras de sua própria empresa, que exigem expressamente neutralidade política no período que antecede as eleições”, afirmou Benner.

Posição do governo e impacto político

De acordo com a agência Reuters, as normas de conduta da companhia vetam qualquer participação pública com siglas partidárias ou postulantes a cargos públicos, bem como o financiamento de tais atos, no trimestre que antecede qualquer pleito eleitoral.

Benner lembrou ainda que a palavra final sobre o aporte financeiro pertence ao conselho de supervisão da Volkswagen, grupo que já atravessa um cenário delicado devido a um abrangente processo de reorganização interna.

O tema também gerou reações no exterior. Olaf Lies, primeiro-ministro da Baixa Saxônia, estado alemão que atua como segundo maior acionista da Volkswagen, reprovou a escolha de palco feita pelo executivo da marca das quatro argolas.

“Um comício de campanha não pode ser o lugar certo para anunciar um investimento dessa magnitude”, disse.

Por sua vez, a administração federal da Alemanha pontuou nesta segunda-feira (26) que a ida do dirigente ao evento ao lado de Trump constituiu uma deliberação estritamente corporativa.

“Trata-se de uma decisão empresarial relativa a onde a empresa investe e, neste caso, onde o CEO da empresa atua. Não tenho mais nada a acrescentar”, disse o porta-voz adjunto do governo, Sebastian Hille.

Detalhes do investimento nos Estados Unidos

O projeto bilionário foi divulgado inicialmente por Donald Trump no sábado (24), durante o evento na Geórgia, realizado nas vésperas das eleições de meio de mandato marcadas para 3 de novembro, responsáveis por definir os rumos do Congresso americano.

“Estou empolgado em anunciar um grande investimento na indústria automobilística no grande estado da Geórgia”, disse Trump durante o comício.

A montadora alemã confirmou oficialmente o aporte por meio de nota oficial, detalhando que o projeto industrial tem potencial para gerar aproximadamente 4,5 mil postos de trabalho diretos. As obras de infraestrutura estão programadas para começar em 2027, enquanto a linha de montagem de veículos tem previsão de funcionamento para o início da década de 2030.

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