A Polícia Federal (PF) prossegue com as apurações sobre eventuais crimes eleitorais associados à disponibilidade de transporte público durante o segundo turno do pleito presidencial.
Estados investigados pela Polícia Federal
As denúncias abrangem ocorrências registradas na Bahia, em São Paulo, em Alagoas, no Piauí e em Sergipe. O objetivo principal da corporação é verificar se ocorreram manobras propositadas para prejudicar ou impedir o deslocamento dos eleitores até as zonas eleitorais.
As frentes de investigação buscam caracterizar delitos como o embaraço ao exercício do voto e a ocultação de meios de transporte. Para isso, a instituição atua em regime de cooperação com os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), com o Ministério Público Eleitoral e com demais órgãos de segurança pública.
De acordo com o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da corporação, Dennis Cali, agentes já ouviram testemunhas e realizaram diligências.
“São fatos que ainda estão em desdobramento”, afirmou Cali.
Situação em Salvador e prisões
Na capital baiana, a queda na circulação de coletivos motivou o presidente do TRE da Bahia, Maurício Kertzman Szporer, a decretar a prisão do titular da Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), Pablo Souza. Contudo, o mandado não foi cumprido imediatamente, pois o secretário cumpria missão oficial em Paris.
Relatórios apontam que cerca de 75 ônibus teriam ficado retidos nas garagens por exibirem adesivos de campanha. A medida extrema da Justiça Eleitoral ocorreu devido a suspeitas de que a pasta municipal teria orientado a redução intencional da frota nas ruas. O secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, afirmou que, diante dos problemas no atendimento aos passageiros, decidiu permitir que os ônibus circulassem mesmo com os adesivos políticos.
Repercussão nacional e STF
As falhas logísticas também resultaram em intervenções na esfera federal. Diante dos entraves enfrentados pela população para votar, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin estendeu o horário de votação até as 19h.
A medida gerou contestações, a começar pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que qualificou a prorrogação como “inexplicável” e defendeu a anulação do pleito devido ao ocorrido. Pedidos de ampliação do horário haviam sido formalizados pelas campanhas de ambos os principais concorrentes ao cargo máximo do Executivo.
A corporação instaurou inquérito em território sergipano e segue analisando os episódios nos demais estados envolvidos. O propósito final é esclarecer as dinâmicas de cada caso e definir eventuais responsabilidades criminais, distinguindo falhas puramente operacionais de ações dolosas contra a democracia.






