O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) encerrará um ciclo de 24 anos consecutivos em cargos públicos eletivos a partir de fevereiro de 2027, após ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial realizada no último domingo (25.out.2026). Com o término de sua legislatura em 31 de janeiro de 2027, o parlamentar perderá o foro privilegiado, visto que optou por concorrer ao Executivo nacional em vez de buscar a reeleição para o Senado.
Trajetória de duas décadas na política A carreira institucional do político começou em 2003, quando ingressou na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) após vencer sua primeira eleição. Ele garantiu reeleições consecutivas em 2006, 2010 e 2014, mantendo-se na casa legislativa estadual até o final de 2018.
Anos mais tarde, no pleito de 2018 — marcando o mesmo ano em que seu pai, Jair Bolsonaro (PL), venceu a disputa pela Presidência da República —, o parlamentar elegeu-se senador pelo Rio de Janeiro com 31,3% dos votos válidos, assumindo a cadeira em 1º de fevereiro de 2019 para um mandato de oito anos. Antes disso, em 2016, ele já havia tentado o Executivo municipal ao disputar a Prefeitura do Rio, terminando na quarta colocação sem perder sua vaga na Alerj.
Mudanças no foro e investigações no STF A saída do cargo encerra o foro por prerrogativa de função no Supremo Tribunal Federal (STF). Contudo, a Suprema Corte tem a prerrogativa de manter a competência para julgar processos referentes a supostos delitos praticados no decorrer do mandato e em decorrência das funções públicas, conforme decisão firmada pelo próprio tribunal em março de 2025.
Entre os principais procedimentos em andamento, destaca-se a investigação sobre o financiamento do longa-metragem Dark Horse, focado na trajetória política da família Bolsonaro. O inquérito, conduzido sob a relatoria do ministro André Mendonça, apura repasses financeiros realizados pelo fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, para a execução da obra cinematográfica.
Diálogo e apurações sobre recursos Registros de conversas e áudios apontam cobranças de aportes financeiros direcionadas a Vorcaro. A Polícia Federal conduz diligências para rastrear a procedência e o destino final do capital, além de apurar o montante efetivamente aplicado no projeto audiovisual.
Outro eixo de apuração investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo transações comerciais com instituições financeiras e plataformas de apostas esportivas, com apontamentos sobre a atuação do advogado Willer Tomaz. Relatórios da corporação policial sugerem que o parlamentar teria tido autonomia sobre a conta bancária de uma companhia associada a Tomaz. Tanto a defesa do senador quanto a do advogado negam veementemente a ocorrência de qualquer irregularidade nas operações.






