Desde a redemocratização, a história das urnas brasileiras guarda uma estatística implacável: nenhum candidato que terminou a etapa inicial na segunda colocação conseguiu vencer a disputa pela presidência da República. O líder do primeiro turno levou a melhor em todas as sete ocasiões em que a votação precisou ir para a rodada definitiva. Neste domingo, 25, Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva colocam essa sequência à prova.
A menor distância desde a redemocratização
Nesta disputa, Flávio registrou 47,03% dos votos válidos na fase inicial, enquanto Lula alcançou 45,16%. Essa margem de apenas 1,87 ponto porcentual representou a menor distância já registrada entre os dois principais concorrentes no primeiro turno desde o fim do regime militar.
Para efeito de comparação, no pleito de 1989, Fernando Collor de Mello (PRN) ficou na frente com 30,48% dos votos, ante 17,19% de Lula. Na fase derradeira, Collor confirmou o favoritismo ao superar o adversário por 53,03% a 46,97%.
O retrospecto das urnas no Brasil
As únicas disputas do período que não exigiram uma nova votação ocorreram em 1994 e 1998, quando Fernando Henrique Cardoso (PSDB) garantiu a vitória ainda no primeiro turno.
Anos mais tarde, em 2002, Lula obteve 46,44% na abertura da eleição, frente aos 23,20% de José Serra (PSDB), triunfando no segundo turno por 61,27% a 38,73%. Na sequência, em 2006, o petista liderou o início com 48,61%, superando Geraldo Alckmin (então no PSDB), que teve 41,64%, e assegurando a recondução ao cargo com 60,83% dos votos.
A trajetória de Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro
Herdeira política de Lula, Dilma Rousseff (PT) registrou 46,91% no primeiro turno de 2010, derrotando Serra — que somou 32,61% — na etapa seguinte por 56,05% a 43,95%. Já em 2014, a ex-presidente liderou a fase inicial com 41,59%, ante 33,55% de Aécio Neves (PSDB), vencendo a eleição de forma apertada com 51,64% a 48,36%.
No pleito de 2018, Jair Bolsonaro (PSL) ficou na ponta da primeira votação com 46,03%, superando Fernando Haddad (PT), que obteve 29,28%. Na decisão, Bolsonaro levou a melhor ao marcar 55,13% contra 44,87%.
Em 2022, o cenário repetiu a liderança inicial de Lula, que atingiu 48,43% contra 43,20% de Bolsonaro (PL). O petista venceu o pleito decisivo por 50,90% a 49,10%, configurando a menor diferença histórica para o segundo turno no período democrático atual. Caso ocorra uma vitória de Lula, a longa tradição de triunfos dos líderes da primeira etapa será finalmente quebrada.






