A disputa eleitoral no Brasil tem sido tratada repetidamente como o fim dos tempos, transformando o pleito em um evento cíclico de tensão permanente onde a população sobrevive à rotina após as urnas.
A demonização do opositor
Na dinâmica política atual, o adversário deixa de ser um concorrente com ideias diferentes para se transformar no Anticristo. O debate racional desaparece, sendo substituído por uma escolha religiosa entre a salvação e a destruição total.
Neste cenário, a figura central assume traços messiânicos. A trajetória política é comparada a narrativas cinematográficas, enquanto os eleitores discutem fé em vez de programas de governo, ignorando questões práticas como déficits públicos e impostos.
O messianismo na história brasileira
Essa confusão entre o altar e o poder executivo não é recente na história do país. Desde o sebastianismo português até figuras como Antônio Conselheiro, Getúlio Vargas, Jânio Quadros e Fernando Collor, a política nacional frequentemente recorre à figura de salvadores da pátria.
A inovação recente é que o salvador agora vem acompanhado de um apocalipse embutido de fábrica, onde a derrota significa a ruína da nação e a vitória representa a salvação exclusiva, eliminando a normalidade democrática.
O papel do Estado e o rótulo de fascista
O engajamento político atual frequentemente utiliza táticas onde o desacordo é interpretado como traição e o líder se apresenta como a única voz legítima do povo.
Essa estrutura centralizadora, que expande as atribuições estatais, acaba por rotular críticos de opositores radicais, invertendo conceitos históricos sobre o tamanho e o papel do governo na sociedade.
O ciclo de tensão tende a se repetir indefinidamente a cada pleito, pois transformar a disputa em uma batalha final entre o bem e o mal permanece como uma estratégia eficaz de mobilização política.






